A musculação pode desempenhar um papel importante tanto na prevenção do Alzheimer quanto no cuidado de pessoas que já receberam o diagnóstico da doença. Além de ajudar a preservar força, mobilidade e funcionalidade ao longo do envelhecimento, a atividade está associada a mecanismos biológicos que favorecem a saúde cerebral e podem contribuir para reduzir o risco de declínio cognitivo.

O aposentado Rogério Beck, 59, recebeu o diagnóstico de Alzheimer há cerca de dois anos. Desde então, passou a praticar mais exercício físico como parte do tratamento. Trocou a corrida pela musculação e treina de três a quatro vezes por semana, dividindo as sessões por grupo muscular. Diz que sente a diferença nos dias em que não vai: "passo o dia meio irritado, acabo dormindo pior".

A esposa Karin Beck, 55, faz o caminho inverso: treina para prevenir o diagnóstico. Com histórico familiar de Alzheimer —a mãe morreu em 2004 devido a complicações da doença—, ela faz pilates duas vezes por semana, modalidade que combina força, equilíbrio e mobilidade, e acrescentou duas sessões de caminhada à rotina.

Paulo Caramelli, neurologista e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), afirma que a atividade física, incluindo a musculação, é considerada parte fundamental de estratégias de prevenção e cuidado do Alzheimer. Segundo ele, o sedentarismo é um dos principais fatores de risco modificáveis para demência, o que coloca o exercício físico no centro das intervenções não farmacológicas.