Ninguém sabe ao certo como ele chegou lá. Sabe-se que é imponente, mas muito calmo, e que custa aparecer em dias frios ou chuvosos, preferindo o sol forte para regular a temperatura do corpo.
Uma funcionária com mais de 40 anos de serviço no Zoológico de São Paulo conta que, logo ao ser admitida na bilheteria, ouviu falar do hóspede misterioso em um dos lagos do vizinho Jardim Botânico. Ambos continuam por lá, ela e ele, desde antes da expansão da internet e da redemocratização.
Há quem já o tenha visto uma ou duas vezes. Outros jamais se depararam com ele. O veterano em questão é um jacaré-de-papo-amarelo, espécie da mata atlântica, o que reforça a probabilidade de sua presença ali. O Zoológico, o Jardim Botânico e o Simba Safari estão encravados em uma área preservada do bioma, junto ao parque do Estado ou Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, todos no bairro da Água Funda, na zona sul da capital paulista.
Mesmo com tanto tempo de casa, o réptil não tem nome, mas é conhecido pelos funcionários simplesmente como o Jacaré do Botânico. A Folha esteve à sua procura no último dia 11. Chovia e fazia frio. Como era de se esperar, ele não deu as caras.
Para deixar a história ainda mais curiosa, quem trabalha no parque afirma que ele tem uma namorada — esta, porém, seria mais tímida do que ele, e praticamente não aparece no lago que possui cerca de 80 mil m², conforme a concessionária Reserva Paulista.











