Metade do jogo bastou para o Brasil mostrar que esteve atento às surpresas da 1.ª jornada do Mundial 2026 e que tomou as medidas necessárias para se desenvencilhar do Haiti, no Grupo C. Em Filadélfia, imperou a lei do mais forte (3-0) sobre um adversário que quis dar um passo maior do que a perna e que se estatelou ao comprido ao fim dos primeiros 45 minutos.Carlo Ancelotti promoveu duas alterações face à jornada inaugural, com Danilo a ocupar a lateral direita e Matheus Cunha a rende Igor Thiago no ataque. Mas essa não foi a única mudança, na verdade. O técnico italiano trocou o 4x2x3x1 do primeiro jogo por um 4x4x2 losango e acabou por tirar frutos do novo sistema.A ideia era relativamente simples: usar Matheus Cunha no vértice ofensivo do losango, com a dupla missão de baixar e combinar com os médios interiores (Bruno Guimarães e Lucas Paquetá), e ao mesmo tempo ligar o jogo na frente, permitindo as diagonais interiores de Vinícius Jr. (a partir da esquerda) e de Raphinha (a partir da direita).Para o êxito desta abordagem contribuiu - e muito - também a opção do técnico Sébastien Migné de mudar a estrutura do Haiti. Ao invés do habitual 4x3x3, a equipa surgiu com três centrais e uma linha defensiva de cinco unidades, organizando-se sem bola em 5x4x1. Mas o problema não foi a estrutura, foi a irreverência. Ao apresentar um bloco médio, convidou o Brasil a uma invasão de propriedade.Oferecer demasiado (e demasiado, neste caso, não precisa de ser assim tanto) espaço a talentos como Vini Jr. ou Raphinha é pedir problemas. A capacidade de acelerarem o jogo, de rasgarem no espaço e de conduzirem em velocidade são suficientes para fazer tremer qualquer adversário organizado e o caso agrava-se quando o espaço nas costas da última linha é generoso.Erros na construção foram fataisRaphinha começou por ameaçar precisamente com uma desmarcação na profundidade e o golo só não valeu porque estava uns centímetros adiantado face ao último defesa. Mas aos 24' os brasileiros festejaram mesmo. Erro na saída de bola do Haiti, recuperação dos "canarinhos" nos últimos 30 metros, bola em Vinícius, remate defendido e Matheus Cunha oportuno na recarga.