Visitantes do Dataland usarão um dispositivo semelhante a um relógio para monitorar suas emoções com o objetivo de interagir com o modelo de inteligência artificial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Visualizações imersivas da exposição inaugural 'Machine Dreams: Rainforest', projetadas no Dataland, o Museu de Artes de IA, em Los Angeles, Califórnia, EUA — Foto: Patrick T. Fallon / AFP Com visualizações imersivas, cheiros da natureza, sons e sabores, um novo museu promete em Los Angeles uma viagem ao coração de uma floresta tropical, ou a uma interpretação dela por meio da inteligência artificial (IA). Dataland, um projeto de Refik Anadol e Efsun Erkiliç, busca gerar arte multissensorial com a ajuda da IA e dos dados de seus próprios visitantes. Mais de 10 milhões de linhas de código estão por trás de suas animações, que concentram 1,5 bilhão de pixels, disse Anadol à AFP. Sensores nas paredes vão calibrar os movimentos dos visitantes, que usarão um dispositivo semelhante a um relógio para monitorar suas emoções e sua frequência cardíaca com o objetivo de interagir com o modelo de IA, além de um difusor de fragrâncias portátil durante o percurso. Visita à Amazônia A mostra inaugural foi inspirada em uma visita de Anadol à Amazônia brasileira. Em uma das salas, ondas coloridas banham os visitantes. A experiência de cada grupo é única, exceto na Sala Infinita, uma viagem à Amazônia que Anadol descreve como "uma história viva". — Gostaria que todos nós pudéssemos passar um tempo na floresta. (...) A pergunta foi: "A floresta pode vir até nós?" — disse Anadol. Visualizações imersivas da exposição inaugural 'Machine Dreams: Rainforest', projetadas no Dataland, o Museu de Artes de IA, em Los Angeles, Califórnia, EUA — Foto: Patrick T. Fallon / AFP O modelo de IA se alimenta de bilhões de imagens e informações de florestas tropicais. É como se estivesse sonhando, explicou Efsun, que descreveu o processo como mais poético do que científico. Os dados colhidos dos visitantes - movimentos, batimentos cardíacos e resposta galvânica da pele - também influenciam a obra, ao alimentarem em tempo real o modelo de IA, que responde com imagens e fragrâncias. Utopia O Dataland abrirá suas portas neste sábado, no centro de Los Angeles. "Há muito trabalho aqui, e é tudo trabalho humano. São colaborações entre seres humanos e máquinas", disse Anadol. Ele contou que cresceu vendo na ficção científica uma utopia, e não uma distopia, e disse que o receio em torno da IA é esperado, por se tratar da "tecnologia mais transformadora que a humanidade já teve". Efsun, sua parceira pessoal e profissional, acredita que a humanidade pode se adaptar: "Eu me recuso a acreditar que uma tecnologia pode nos apagar do mapa. Somos mais fortes do que isso."