Passou a primeira semana de Copa do Mundo e a maratona de partidas trouxe gols, recordes, estrelas em atividade e algumas surpresas. Com quase 30 jogos disputados de um total de 104, houve uma constante na grande maioria dos estádios dos Estados Unidos, México e Canadá: arenas lotadas e outras, inclusive em partidas de seleções sem tradição e com poucos torcedores, quase cheias. A FIFA já superou a meta de arrecadação que havia projetado. Embora haja 40 jogos a mais do que no Catar, quadruplicou o número de ingressos vendidos em relação à última Copa. Suíça x Bósnia e Herzegovina foi disputado nesta quinta-feira em um dos estádios mais imponentes do torneio. O SoFi Stadium, em Los Angeles — onde os Estados Unidos estrearam e registraram lotação máxima — tem capacidade, nesta Copa, para 70.492 espectadores. O que parecia ser um dos confrontos menos atraentes entre duas pequenas nações europeias exibiu no telão a marca de 70.026 ingressos vendidos. Mais cedo, África do Sul e República Tcheca jogaram em outro dos maiores estádios desta Copa. A arena de Atlanta, com capacidade para 68.239 pessoas, recebeu 67.442 torcedores. Uma das principais críticas feitas em todo o mundo à organização deste torneio foi o preço dos ingressos. A FIFA lançou, para esta Copa, um site onde só é possível comprar ingressos oficiais e, no mesmo espaço, um sistema de revenda para quem quiser negociar suas entradas com outros torcedores — uma prática legal e comum nos Estados Unidos. Quando os ingressos foram colocados à venda, as entradas para a fase de grupos podiam ser encontradas por valores entre 60 e 800 dólares. Claro que, em jogos de alta demanda, esses valores hoje aparecem na revenda por cifras que podem facilmente chegar a 2.500, ou até quase 10.000 dólares. Segundo dados oficiais, os preços mais altos estão na costa leste dos Estados Unidos, onde há sedes com maior conectividade e poder aquisitivo. Conseguir um ingresso A FIFA colocou à venda um total de 6,8 milhões de ingressos para os 104 jogos do Mundial. Segundo a entidade, quase todos já foram vendidos e, no site oficial, na aba “Venda de última hora”, restam apenas alguns para partidas de baixa procura, como Nova Zelândia x Egito ou Curaçao x Costa do Marfim. Para jogos de seleções como Argentina, Estados Unidos, México ou França, por exemplo, já não há ingressos há meses. A forma mais fácil de conseguir um ingresso nesse momento da competição é através da revenda. No próprio site oficial, na seção “Mercado”, os detentores de ingressos podem vendê-los e os interessados, comprá-los. O preço é definido pelo mercado, segundo a organização — e pode assustar. Há ainda uma última opção para assistir aos jogos mais disputados: na aba “Hospitality”, são oferecidos pacotes com ingresso e camarotes VIP, com preços a partir de 8.000 dólares por partida na categoria padrão. O jornal LA NACION consultou uma fonte de alto nível da FIFA, que afirmou que, apesar das críticas aos preços, um terço dos ingressos foi vendido por menos de 300 dólares. Recorde de público A entidade máxima do futebol comemorou um marco ocorrido na terça-feira passada, dia da estreia da seleção argentina em Kansas City. Naquele dia, houve quatro jogos (França x Senegal, Iraque x Noruega, Áustria x Jordânia e Argentina x Argélia), que reuniram um total de 281.223 espectadores. O número superou o recorde diário anterior, de 277.070, registrado na Copa dos Estados Unidos de 1994, quando também foram disputados quatro jogos no mesmo dia, em 28 de junho. “16 de junho de 2026 entrará para a história da Copa do Mundo da FIFA! Não tenho palavras para agradecer aos torcedores por encherem este torneio de cor, atmosfera e emoção. A Copa do Mundo da FIFA 2026, a mais inclusiva de todas, continua mostrando o quanto nosso esporte é amado e como o futebol une o mundo”, declarou Gianni Infantino. Além da final, que será disputada em 19 de julho, em Nova Jersey, os dois jogos com maior procura até agora acontecerão em Miami: Colômbia x Portugal, pela terceira rodada da fase de grupos, e o confronto entre o primeiro do grupo da Argentina e o segundo do grupo da Espanha. Estádios lotados Um dos fatores de sucesso na venda de ingressos, segundo os organizadores, é a capacidade dos estádios. Na maioria deles, também são disputados jogos de futebol americano. Apenas dois (o de Guadalajara, no México, e o de Toronto, no Canadá) têm capacidade inferior a 50 mil espectadores. A maior parte varia entre 60 mil e 80 mil lugares. Até agora, os jogos com maior público ocorreram nos estádios de maior capacidade do torneio. O Estádio Azteca teve lotação máxima na abertura entre México e África do Sul, situação repetida na estreia da Colômbia contra o Uzbequistão. O MetLife Stadium, em Nova Jersey — palco da final — também ficou lotado nos jogos Brasil x Marrocos e França x Senegal. Em cada uma dessas partidas, o público superou 80 mil pessoas. Nos primeiros seis dias de competição, 1.309.652 pessoas foram aos estádios, com média de 65.483 torcedores por partida. Ao final da fase de grupos, estima-se que o torneio ultrapasse o total de 3,5 milhões de espectadores, recorde estabelecido na Copa de 1994. A Argentina encerrará a fase de grupos com média de 70 mil ingressos vendidos. Na estreia, no Arrowhead Stadium, em Kansas City, houve 69 mil torcedores. E espera-se que, nas partidas seguintes contra Áustria e Jordânia, os 70.649 lugares do estádio de Dallas estejam completamente ocupados. Fan Fest Outro número que a FIFA gosta de destacar está relacionado aos Fan Fests — espaços com telões e atrações para assistir aos jogos, destinados a quem não conseguiu ingressos. Na primeira rodada, foi informado oficialmente que 1.992.302 pessoas passaram por esses locais. As três sedes no México foram as que mais reuniram público: 527.100 na Cidade do México, 244.710 em Monterrey e 218.424 em Guadalajara.