As tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros chegam a 50% e, segundo a Confederação Nacional da Indústria, podem atingir 35,9% das exportações nacionais. Os exportadores diretos já calculam perdas. Mas o alcance das tarifas tende a ir muito além das empresas com operações no mercado americano.

Para especialistas, choques externos desse porte costumam expor fragilidades que já existiam dentro das organizações, em especial aquelas dependentes de poucos clientes, fornecedores ou fontes de faturamento.

O tarifaço revela o que já estava frágil

Dema Oliveira, CEO da Goshen Land, é direto ao avaliar o cenário. “Quando uma mudança externa provoca um impacto muito maior do que o esperado, normalmente o problema não começou naquele momento. A crise não cria essa vulnerabilidade; ela apenas a revela”, afirma.

O raciocínio se aplica a empresas que nunca venderam um produto para fora do Brasil. Uma indústria que depende de componentes importados, por exemplo, pode rever compras, investimentos e produção diante da instabilidade, afetando fornecedores que não têm qualquer relação com o comércio exterior.