Bebidas energéticas, seguidas de cervejas, carne bovina e refrigerantes se destacaram pelo crescimento em valor vendido no intervalo de 8 a 14 de junho Dados de vendas semanais no varejo alimentar mostram que aceleraram as vendas de bebidas e carnes nas lojas em junho no país, no mês de Copa do Mundo, numa sinalização de aumento do consumo dentro dos lares. A demanda em geral observada nos supermercados, hipermercados e atacarejos é de aceleração contínua em volume e valor vendido há duas semanas, num certo alívio — pelo menos inicial — do quadro mais instável vivido pelo varejo de alimentos e bebidas no país. Em levantamento da empresa de pesquisas NielsenIQ (NIQ) para o intervalo de 8 a 14 de junho, bebidas é a cesta que mais se destaca pelo crescimento em valor vendido, ao lado de cortes bovinos, entre os segmentos com maior expansão entre as categorias nas lojas. A região do interior de São Paulo tem a expansão maior que a média nacional. Ao se abrir mais os números, em primeiro lugar aparecem bebidas energéticas, seguidas de cervejas, carne bovina e refrigerantes, nesta ordem de crescimento. No mercado, havia uma expectativa de que, pelos jogos da seleção brasileira serem à noite, e com as baixas temperaturas em boa parte do país — além do aumento do endividamento da população —, haveria um deslocamento de demanda dos bares e restaurantes para o consumo dentro dos lares. Uma análise da evolução dos números de vendas mostra a curva de crescimento nas lojas. Em termos de vendas por valor, na semana de 25 de maio a 31 de maio, a alta foi de 3,7%, e na semana seguinte, subiu para 5,4%, atingindo 6,1% de 8 de junho a 14 de junho frente ao ano anterior. A Copa do Mundo acontecerá de 11 de junho a 19 de julho, e a partida do Brasil contra Marrocos aconteceu no dia 13 de junho, logo, a pesquisa inclui esse impacto da data. Em relação às vendas em unidades, desde a metade de maio, o número girava na faixa de zero — de 25 de maio a 31 de maio, chegou a ocorrer leve queda de 0,3%. Na semana seguinte, subiu para alta de 0,7%, e de 8 de junho a 14 de junho, já na semana do primeiro jogo da seleção, a alta foi de 1,9%. Ainda não se trata, porém, de uma variação muito representativa em volume: mesmo em maio, as altas na primeira e segunda semanas foram maiores, de 3,9% e 4,7% frente a 2025. Mas mostra, pelo menos, uma melhora frente ao fim do mês de maio, que vinha com demanda em desaceleração, pelos dados semanais captados pela NIQ. Esses dados são relevantes pela pressão que o varejo alimentar tem sentido neste ano, num ambiente de alta volatilidade, considerando o movimento de retorno da inflação alimentar em praças centrais do país, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e ao mesmo tempo, um quadro ainda de juros elevados afetando o orçamento das famílias. Mapa da compra Por produtos, em valor vendido, os cortes bovinos aparecem no levantamento com alta de 18,5% nas vendas na semana de 8 a 14 de junho, e as bebidas energéticas, com 60%. Os refrigerantes cresceram 16,6%, e os salgadinhos para aperitivos, 12,5%. Os televisores, vendidos em hipermercados, cresceram 79% e são produtos que, apesar de não serem a principal mercadoria do portfólio das varejistas de alimentos, eles vêm sendo promovidos com foco no início do pagamento das parcelas após o torneio esportivo. Na ponta contrária, com maiores retrações, estão itens como café em pó (22,2%), açúcar (21,2%) e óleo (10%). — Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado