Armamento foi encontrado durante blitz da Polícia Militar, em Brasília Ex-presidente Jair Bolsonaro em sua casa, em Brasília, em 2025 — Foto: Diego Herculano/Reuters A Polícia Civil do Distrito Federal pediu nesta quinta-feira (18) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para ouvir Jair Bolsonaro no inquérito que apura a apreensão de uma arma registrada em nome do ex-presidente durante uma blitz. A arma foi encontrada na segunda-feira (15), durante uma abordagem realizada pela Polícia Militar de Brasília. O objeto estava com o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, que atua na segurança do ex-chefe do Executivo. O equipamento foi encontrado no assoalho do carro do militar. “Venho, por meio do presente requerer a autorização e a respectiva intimação do Exmo. Sr. Jair Bolsonaro para comparecimento à audiência a ser realizada por videoconferência, por meio da plataforma Zoom, no dia 24 de junho de 2026, às 15h”, disse o delegado Thiago Boeing em ofício enviado a Moraes. Boeing também afirmou que tentou intimar Bolsonaro, mas que a “equipe de escolta” responsável pela segurança do ex-presidente “não permitiu a efetivação do ato, impossibilitando a ciência pessoal do intimado”. Na quarta-feira (18), a defesa de Bolsonaro admitiu que o ex-presidente tinha uma arma em casa. Disse, no entanto, que o equipamento estava inoperante e deixou a residência para reparos. Segundo o relato, a arma estava devidamente registrada e teria deixado a casa para ser consertada após seguranças tornarem o equipamento inoperante. De acordo com os advogados, auxiliares do ex-presidente retiraram o percussor da arma, para que ela não funcionasse, por conta de temores envolvendo o quadro psiquiátrico de Bolsonaro. “Embora possuísse regularmente o armamento, as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas, capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”, disse a defesa. Bolsonaro teria constatado que a arma não funcionava, mas não conseguiu identificar o motivo. Por isso, teria pedido ao auxiliar, que foi pego com o equipamento na blitz, que verificasse o armamento. Ao cobrar explicações, Moraes determinou que o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, responsável pelas medidas de segurança durante o regime domiciliar de Bolsonaro, esclarecesse se está sendo cumprida a ordem de revista nos carros que saem da residência do ex-presidente. Em ofício enviado à Corte, a PM disse que, como os veículos utilizados por agentes que seriam do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) não entram na garagem, pois ficam estacionados em via pública, eles não são submetidos a vistorias. O GSI, no entanto, afirmou em nota que não é responsável pela segurança de ex-presidentes, inclusive de Bolsonaro, e que Silva Filho, com quem estava a arma, não integra os quadros do órgão. “Os servidores à disposição dos ex-presidentes são de livre indicação dos mesmos e não estão subordinados nem vinculados operacionalmente ao GSI”, explicou.