Empresário é um dos alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master Augusto Lima, controlador do Banco Pleno, liquidado pelo BC — Foto: Reprodução/O Globo O empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, pagou ingressos para dois shows da cantora americana Taylor Swift para familiares do senador Jaques Wagner nos Estados Unidos e em São Paulo. A informação foi antecipada pela colunista Malu Gaspar, do Globo. Segundo as investigações, um dos shows foi realizado em agosto de 2023, em Los Angeles e os ingressos teriam sido comprados por meio da Reag, no valor de R$ 63.339. As informações sobre os pagamentos dos shows constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (18). A decisão não cita o nome da artista norte-americana. Wagner e Lima estão entre os alvos das medidas de busca e apreensão de bens, valores e documentos. A investigação apura o suposto recebimento de vantagens indevidas pelo senador em troca da atuação dele em favor dos interesses de Lima e do Master. Uma dessas vantagens econômicas indevidas teria sido o recebimento de ingressos para shows no exterior de elevado valor. A representação não especifica qual cantora teria se apresentado, mas afirma que o show teria sido realizado em Los Angeles, na Califórnia (EUA), em agosto de 2023. Segundo a PF, Augusto Lima teria orientado sua secretária a adquirir ingressos em favor de familiares de Jaques Wagner. A compra teria sido realizada pela Reag Investimentos, supostamente envolvida nas fraudes do Master. A empresa também é investigada por suposto elo com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Além deste ingresso, a investigação identificou que o senador recebeu outros ingresso para a turnê da artista em São Paulo, quando ela se apresentou no estádio Allianz Parque, em novembro de 2025. A autoridade policial relatou diálogos entre Wagner e Lima, em 23 de novembro de 2023, em que o senador questiona sobre os "ingressos de sábado", tendo recebido os arquivos de ingressos para camarote. Posteriormente, o parlamentar teria solicitado a ampliação do número de bilhetes para cinco, ao que Augusto respondeu: "Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs". O recebimento dos ingressos para o show é considerado por Mendonça como uma "questão lateral" envolvendo o suposto recebimento de vantagens econômicas indevidas. O ministro também classifica do mesmo modo o uso gratuito de aeronaves particulares de Lima e do Master pelo senador. De acordo com a decisão, a aeronave teria sido utilizada em ao menos duas ocasiões: para transportar familiares do senador de Salvador até a Ilha da Paixão, de propriedade de Lima, e para Wagner ir ao Rio de Janeiro. Entre as vantagens econômicas indevidas principais estariam a compra de um apartamento por R$ 2,45 milhões em Salvador e pagamentos e repasses à BN Financeira e outras empresas ligadas à família do senador. Os pagamentos teriam sido feitos por meio de uma empresa da esposa de seu enteado. A PF também relata indícios de atuação parlamentar de Wagner em temas de interesse do Master no Congresso. A defesa do senador ainda não se manifestou. Já os advogados de Augusto Lima afirmaram que as medidas realizadas nesta quinta-feira eram "desnecessárias" já que o empresário estaria à disposição das autoridades há seis meses para prestar esclarecimentos. No comunicado, a defesa diz que os fatos relacionados a Lima são "rigorosamente lícitos". "Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública", diz a nota assinada por Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello. Operação Compliance Zero A PF deflagrou nesta quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes no Banco Master. Esse desdobramento da operação apura suspeitas de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o petista. Ao todo, policiais federais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo minstro André Mendonça, nos Estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte. É a primeira vez que a operação mira um nome do alto escalão de governos petistas e que é próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além dele, a PF já fez buscas contra o senador e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro Ciro Nogueira (PP-PI) e também contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).
Augusto Lima pagou ingressos de show da Taylor Swift para parentes de Jaques Wagner nos EUA e SP
Empresário é um dos alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master











