O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quinta-feira, na sede da Otan, uma reavaliação da presença militar americana na Europa, em meio às pressões de Washington para que os aliados assumam a própria defesa. — Esta será uma revisão de verdade. Será pensada para garantir que a Otan avance de forma rápida e irreversível rumo a uma Europa na liderança, assumindo a responsabilidade principal pela defesa da Europa — disse Hegseth em uma reunião de ministros da Defesa da Otan em Bruxelas. — É uma avaliação na qual alguns países serão reprovados e outros passarão com louvor — acrescentou, antes de informar que o processo vai durar seis meses. O chefe do Pentágono indicou que a medida também tem como objetivo garantir que "o acesso, as bases e o sobrevoo dos EUA estejam claramente definidos e assegurados", depois que alguns países europeus adotaram restrições às forças americanas durante a guerra no Oriente Médio. — Foi vergonhoso. Estes aliados colocaram em risco os filhos e filhas dos EUA, nossos filhos e filhas. Não há desculpa para isso — afirmou. O governo dos EUA quer assegurar que os aliados cumpram o compromisso assumido no ano passado de aumentar consideravelmente seus gastos em defesa, antes de uma reunião de cúpula da Otan prevista para julho na Turquia. Hegseth advertiu que, a partir de agora, o pagamento das contribuições de Washington para cobrir os custos de funcionamento da estrutura organizacional da Otan, que em 2026 devem ficar próximos de US$ 790 milhões (cerca de R$ 4 bilhões), será "condicionado" ao cumprimento, pelos aliados, das metas de gastos. — Quando outros aliados não gastarem com urgência, nossas contribuições vão diminuir — destacou. A advertência do secretário de Defesa dos EUA, que inicialmente adotou um tom conciliador, é um sinal de alerta para os aliados da Otan, preocupados com o compromisso de Washington com a defesa da Europa. Em 2025, durante a reunião de cúpula da Otan em Haia, os aliados se comprometeram a destinar, até 2035, pelo menos 5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) a gastos de segurança, dos quais 3,5% seriam para gastos estritamente militares. No ano passado, os 32 países da Otan cumpriram a meta anterior: 2% de gasto militar em relação ao PIB, decidida em 2014. Apesar das críticas, o secretário de Defesa reconheceu os avanços de muitos membros da Otan para reforçar sua defesa e mencionou progressos. — Alguns de nossos aliados receberam a mensagem e deram um passo à frente. Eles sabem quem são, e agradecemos muito por isso — afirmou. Por sua vez, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que "Europa e Canadá gastarão em 2025 mais de US$ 90 bilhões (R$ 459 bilhões) adicionais em comparação com 2024, o que representa um aumento de quase 20% nos gastos com defesa". Washington deixou claro aos países europeus que deseja que os aliados do continente assumam a responsabilidade principal por sua própria defesa convencional, enquanto o foco dos EUA se desloca para a China. — Vamos conseguir compensar muitas coisas, mas precisamos de um pouco mais de tempo, e essa é a mensagem clara — disse o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius. A mudança de rumo dos EUA provocou o temor de um aumento da vulnerabilidade europeia em relação à Rússia, quatro anos após o início da invasão da Ucrânia.
Secretário de Defesa dos EUA anuncia reavaliação da presença militar na Europa e eleva pressão sobre aliados da Otan
Segundo Pete Hegseth, revisão durará seis meses e busca garantir acesso a bases e espaço aéreo europeus após restrições às forças americanas durante a guerra no Oriente Médio










