Gideon Saar atribuiu frase comparando Estado judeu a regime racista sul-africano a Kaja Kallas; autoridade europeia falou em manutenção do diálogo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Chanceler israelense, Gideon Saar, em evento em Tóquio — Foto: Kazuhiro NOGI / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 13:50 Relações Israel-UE em crise após polêmica com Kaja Kallas O chanceler de Israel, Gideon Saar, rompeu relações com a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, após alegações de que ela comparou Israel ao regime de apartheid sul-africano. Saar exigiu uma retratação, enquanto Kallas ressaltou a importância do diálogo. A tensão ocorre em meio ao agravamento das relações UE-Israel, após conflitos na Faixa de Gaza e ações de colonos na Cisjordânia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, anunciou nesta quinta-feira o rompimento de contato com a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, por supostamente comparar a política do Estado judeu ao Apartheid — regime discriminatório que adotou critérios racistas para reger a vida cotidiana na África do Sul, entre 1948 e 1994. "Recentemente, foi divulgado que, durante sua visita ao México, ela [Kallas] comparou Israel ao regime racista de Apartheid que existiu na África do Sul", escreveu Saar em uma publicação na rede social X. "Portanto, como ministro das Relações Exteriores do Estado de Israel, não tenho outra alternativa senão romper todos os contatos até que ela se retrate da calúnia de sangue que dirigiu contra o único Estado judeu do mundo, que também é a única democracia no Oriente Médio". Kallas se manifestou por meio da mesma rede social. A diplomata europeia destacou a importância do diálogo entre UE e Israel, mas não comentou diretamente as alegações sobre a declaração atribuída a ela pelo chanceler israelense. Ela disse valorizar o diálogo e estar disposta a continuar as conversas de maneira respeitosa e construtiva. Saar respondeu imediatamente que sua posição não mudaria enquanto a diplomata não esclarecesse se utilizou a palavra "apartheid" ou não. Kallas declarou nesta semana que voltaria a solicitar que a Comissão Europeia, responsável pela política comercial da UE, apresentasse uma proposta visando possíveis sanções às exportações provenientes dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, medida apoiada por vários Estados europeus. Delegação da União Europeia visita vila nos arredores de Hebron, na Cisjordânia, atacada por colonos israelenses — Foto: Mosab Shawer / Middle East Images via AFP Ela também afirmou que diversos países do bloco propuseram sanções contra o ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, mas que não havia consenso entre os 27 membros da UE, já que uma medida desse tipo precisa ser aprovada por unanimidade. Esse ministro, ligado à extrema direita israelense, já havia sido alvo de uma proibição de entrada na França e na Irlanda no fim de maio, após a divulgação de um vídeo mostrando militantes da "Flotilha para Gaza" ajoelhados e com as mãos amarradas, o que provocou uma onda de indignação internacional. As relações diplomáticas entre Israel e o bloco europeu se deterioraram fortemente desde o início da guerra na Faixa de Gaza, desencadeada pelo ataque do grupo terrorista Hamas contra o sul do Estado judeu em outubro de 2023, além da crescente violência cometida por colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia.