Trens e ônibus passam a circular com menor frequência, e assentos serão destinados prioritariamente a doentes e emergências; população relata dificuldades para se deslocar pelo país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pessoas chegam em ônibus a Ciego de Ávila, Cuba, em 15 de junho de 2026 — Foto: STR / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 12:40 Crise de Combustível em Cuba: Transporte Público Severamente Afetado Cuba enfrenta uma grave crise de combustível, levando a restrições severas no transporte público entre províncias. Trens e ônibus operam com frequência reduzida, priorizando emergências médicas. A população, já impactada pelo embargo dos EUA, enfrenta dificuldades extremas de deslocamento, com tarifas privadas exorbitantes. As medidas visam resistir à pressão externa enquanto o governo busca reformas econômicas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Restrições drásticas ao transporte interprovincial entram em vigor nesta quinta-feira em Cuba, atingida pela falta de combustível e onde os assentos em trens e ônibus — cada vez mais escassos — são reservados para doentes, funerais e outras emergências. A ilha de 9,6 milhões de habitantes funciona praticamente sem combustíveis desde janeiro, quando os Estados Unidos cortaram suas importações de petróleo como parte de uma campanha de pressão destinada a forçar uma mudança de regime. O transporte, que já enfrentava a pior crise econômica de sua história recente, foi praticamente paralisado por completo enquanto os postos de gasolina ficam sem combustível. Pessoas chegam em ônibus a Ciego de Ávila, Cuba, em 15 de junho de 2026 — Foto: STR / AFP A partir desta quinta-feira, os trens que partem de Havana com destino às cidades do leste passaram a circular apenas a cada 16 dias, em vez de cerca de três por semana como antes. Passageiros transportam suas bagagens em uma plataforma da estação ferroviária Ferrocarriles de Cuba, em Havana, em 16 de junho de 2026 — Foto: YAMIL LAGE / AFP Os ônibus estatais, que antes operavam pelo menos uma vez por dia para as capitais provinciais, passarão agora a fazê-lo entre uma e três vezes por semana. O vice-ministro de Transporte, Luis Ladrón de Guevara, enfatizou que não serão necessários permissões para viajar, mas que funcionará como um "sistema de prioridades". Os passageiros deverão solicitar suas viagens com sete dias de antecedência. Cuba prometeu resistir à pressão dos EUA enquanto anuncia reformas para atrair investimentos e compensar a saída de capital estrangeiro. Vidas em jogo As novas restrições ao transporte interprovincial afetam o sistema estatal, do qual a maioria dos cubanos depende. Pessoas esperam no terminal rodoviário de Ciego de Ávila, Cuba, em 15 de junho de 2026 — Foto: STR / AFP Embora pequenos grupos de táxis e caminhões privados continuem operando para outras cidades, suas tarifas até 200 vezes superiores às do transporte estatal acabam sendo proibitivas. José Manuel García, de 60 anos, que é cego de um olho e recebe tratamento por um deslocamento de retina no outro, procurava uma passagem para voltar de Cuba para Santiago. Ele teme ter que interromper seu tratamento, disponível apenas em Havana, se continuar "tão difícil" de se deslocar. Fora do alcance Em Havana, os ônibus urbanos praticamente desapareceram, deixando muitos sem outra opção a não ser ir a pé para o trabalho ou para a escola sob temperaturas próximas a 40ºC. Com o combustível sendo vendido no mercado informal por até 8 dólares (cerca de 40 reais) por litro, mesmo um trajeto curto de táxi pode consumir a maior parte do salário de um trabalhador estatal, enquanto algo tão básico como viajar dentro do país se tornou incerto. — O transporte está péssimo — comenta Alexi Martínez, uma trabalhadora da saúde pública, de 56 anos, que destina quase todo seu salário para pagar transporte de ônibus para sua mãe idosa e diabética na capital. — Tenho que fazer isso porque sou filha única. Homens ao lado de bagagens e caixas empilhadas em uma plataforma em frente ao vagão do trem Ferrocarriles de Cuba, em Havana, 16 de junho de 2026 — Foto: YAMIL LAGE / AFP Para muitos cubanos, as novas restrições implicam também em se afastar de suas famílias. Guadalupe Pérez, de 54 anos, chegou a Havana de trem, vinda de Holguín, com parte de sua família, dois dias antes das restrições entrarem em vigor. Ela se despediu "do resto da família e de tudo" em sua terra natal, sem saber quando poderá voltar.