Presidente da Casa disse que vai pedir aos líderes partidários que façam reuniões de alinhamento nos próximos 10 ou 15 dias para que a sessão do Congresso aconteça ainda antes do recesso parlamentar O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), cancelou a sessão conjunta agendada para esta quinta-feira, que analisaria vetos e projetos de lei do Congresso Nacional. Estavam previstos na pauta 65 vetos e 5 PLNs, mas não houve acordo para decidir o que seria votado. Alcolumbre atribuiu o cancelamento aos líderes partidários, que não conseguiram se reunir para chegar a um acordo sobre o que seria deliberado. "Líderes partidários da Câmara e do Senado não conseguiram se reunir para tratar especificamente dessa sessão do Congresso, que estava marcada com 30 dias de antecedência", afirmou Alcolumbre em um pronunciamento no salão verde da Câmara dos Deputados. "Infelizmente, nós não conseguimos, mesmo 30 dias depois, construir um acordo para a gente deliberar hoje, na sessão do Congresso Nacional, os vetos que foram selecionados", completou o presidente do Congresso. Ele disse que vai pedir aos líderes partidários que façam reuniões de alinhamento nos próximos 10 ou 15 dias para que a sessão do Congresso aconteça ainda antes do recesso parlamentar. "Eu posso reafirmar para vocês que, com acordo ou sem acordo, daqui a 15 dias, antes do recesso, eu espero ter uma sessão do Congresso", disse Alcolumbre. Segundo o presidente, muitos desses vetos têm potencial para gerar “impacto gigantesco” sobre as contas públicas, tanto em caso de derrubada quanto de manutenção. A declaração ocorre enquanto o governo busca travar o avanço de “pautas-bomba”. O Executivo estima que nove propostas em tramitação no Legislativo têm impacto de R$ 111 bilhões por ano, com renúncia de receita e criação ou aumento de despesas obrigatórias. Na quarta-feira, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), se reuniu com Alcolumbre na tentativa de enxugar a pauta a ser apreciada hoje. Segundo Randolfe, os vetos presidenciais com impacto fiscal deveriam ser retirados da sessão conjunta. Entre os pontos de maior divergência entre governo e Congresso estão a análise de dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, do Orçamento deste ano e de projetos com impacto sobre despesas obrigatórias, benefícios sociais, emendas parlamentares e remuneração de servidores públicos. A lista de vetos inclui ainda propostas sobre planos de carreira de servidores da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU), além de matérias relacionadas ao seguro-defeso, ao Auxílio Gás, a incentivos fiscais e à tributação de bets. Também estavam previstos o debate a respeito da privatização da Eletrobras, pontos da nova lei de licenciamento ambiental, apelidado por críticos de “PL da Devastação”, e o marco regulatório das eólicas offshore. — Foto: Saulo Cruz/Agência Senado