Há dias, terminou no Rio o julgamento do assassinato do menino Henry Borel, torturado e morto aos quatro anos em 2021 por seu padrasto, o ex-vereador e médico Jairo Souza Santos, sob a omissão de sua própria mãe, Monique Medeiros. Ele pegou 43 anos de prisão; ela, a quem se devia a proteção do filho, 1 ano e quatro meses, e mesmo assim a juíza a mandou para casa. É quase intolerável saber a que essa criança foi submetida durante um mês inteiro até sua morte. Apesar disso, durante todo o processo, Jairo Souza Santos foi chamado pela imprensa por seu meigo apelido de "Dr. Jairinho". Tal tratamento provoca revolta ou asco?
Em 1992, também no Rio, a atriz Daniella Perez, 22 anos, foi assassinada por seu colega Guilherme de Pádua e pela mulher dele, Paula Thomaz. Ainda insuspeito, Pádua, incrivelmente, juntou-se ao luto da família. Não me ocorre que tenha sido tratado por "Gui" no noticiário, como Daniella talvez o fizesse. Em 2002, em São Paulo, Suzanne von Richthofen urdiu com o namorado Daniel Cravinhos e o irmão deste, Cristian, a morte de seus pais enquanto dormiam. Nem por isso Suzanne tornou-se Suzy.
Também em 2002, numa favela carioca, o jornalista Tim Lopes foi capturado, torturado e morto pelo traficante Elias Pereira da Silva e seus cúmplices. O corpo foi coberto de pneus, a que se jogou combustível e se pôs fogo, num processo chamado de "micro-ondas". Elias era famoso como "Elias Maluco", não como Eli.






