Evento é conhecido como “sismicidade antropogênica ou induzida” Torcedores do México — Foto: Reuters Os “saltos massivos” da torcida após o gol de um jogador do México no mundial de 2018 foram tão intensos que geraram um abalo sísmico detectado por sensores e batizado de “terremoto antropogênico” na Cidade do México, fenômeno que volta ao radar às vésperas do duelo da seleção mexicana contra a Coreia do Sul, nesta quinta-feira (18), pela Copa do Mundo de 2026, por causa do risco de novos tremores em estádios e fan fests construídos sobre o solo instável do antigo lago Texcoco. Na Copa da Rússia, após o México derrotar a Alemanha por 1 a 0 ainda na fase de grupos, a alegria de torcedores causou literalmente um "pequeno terremoto” na capital do país. O tremor pode ter sido causado "por uma comemoração em massa durante o gol do México na Copa do Mundo", disse o Instituto de Investigações Geológicas e Atmosféricas do México (IIGEA) no X naquela época. Ao menos dois sensores sísmicos detectaram o tremor por volta das 11h32, no horário local, logo após o jogador mexicano Hirving Lozano marcar o gol vencedor contra a Alemanha, que era uma das favoritas para o campeonato de 2018. A magnitude do evento não foi divulgada. O instituto Sismologia do Chile também registrou os tremores no México e brincou que “deveria desativar alguns sensores para evitar que isso continuasse acontecendo no Mundial”. Por que isso aconteceu? A teoria do IIGEA era que os “saltos massivos” das comemorações dos torcedores causaram o abalo, no que é chamado de “sismicidade antropogênica” ou “sismicidade induzida”. Segundo o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), os sismos induzidos são “de origem secundária ou tectônica disparados pela ação do homem”. Normalmente, isso pode acontecer quando se é construída uma hidrelétrica, na escavação de minas subterrâneas ou, em menor escala, em de ocorrência de alguma multidão. Na prática, isso significa que uma atividade humana serve como “gatilho” para liberar uma energia que já estava acumulada ou que foi gerada pela intervenção mecânica. No caso do México, os “saltos massivos” dos torcedores gerou essa energia que foi dissipada pelo solo. A Cidade do México também favorece que esses tremores antropogênicos aconteçam, por causa do solo local, como mostra o artigo “Resposta sísmica da Bacia da Cidade do México: uma revisão de vinte anos de pesquisa” de 2006. Como a cidade fica sobre o leito seco do Lago Texcoco, o terreno possui mais sedimentos moles, que favorecem a propagação das vibrações sísmicas. Segurança O México está localizado em uma das zonas com maior atividade sísmica do mundo, o chamado “Círculo de Fogo do Pacífico”, uma região litorânea que circula o Oceano Pacífico e onde há muita movimentação das placas tectônicas. O governo do México já tem pronto um protocolo específico para o caso de um terremoto atingir estádios e fan fests durante a Copa do Mundo de 2026: do lado de fora, torcedores devem se afastar de telas, postes e arquibancadas temporárias; dentro das arenas, a ordem é seguir as instruções nos telões e dos brigadistas de proteção civil. O tremor mais recente aconteceu em 08 de junho e teve uma magnitude 6,1, com o epicentro no Golfo do México, a leste de Progreso, em Yucatán, segundo o Servicio Sismológico Nacional (SSN). No mesmo dia também houve uma atividade sísmica perto de Crucecita, em Oaxaca, com magnitude de 4,2. O governo mexicano possui um protocolo de atuação, disponibilizado on-line, para eventuais abalos sísmicos. A recomendação é para conhecer a região e as rotas de evacuação antes de um possível tremor e de, no caso de soar o alarme sísmicos, manter a calma. Dentro de um prédio, durante um terremoto, a indicação é para sair do edifício, caso haja tempo, ou se não for possível, de buscar abrigo em uma área de menor risco, como debaixo de uma mesa ou estrutura resistente, e longe de janelas, portas ou objetos pesados.
O gol que causou um terremoto (de verdade) no México em uma Copa do Mundo
Evento é conhecido como “sismicidade antropogênica ou induzida”









