Supostas mensagens do presidente da Câmara foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) — Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados A Polícia Federal (PF) encontrou no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, supostas mensagens do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedindo a liberação de um empréstimo para a empresa da cunhada, Bianca Medeiros, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. A informação foi confirmada pelo g1. O Valor procurou a assessoria do presidente da Câmara para comentar, mas não obteve retorno. Ao jornal O Estado de S. Paulo, Motta não quis responder se atuou para liberar o financiamento para a empresa da cunhada. Quando perguntado sobre o assunto, afirmou que a operação de crédito “está dentro da legalidade” e que a empresa estaria honrando o pagamento das prestações. Segundo a reportagem, as conversas mostrariam que Motta teria pedido diretamente a Vorcaro a liberação de um empréstimo de ao menos R$ 22 milhões do Banco Master para a sua cunhada. Ela não foi localizada pelo Valor para comentar. O pedido teria sido feito em março de 2024. Na terça-feira (16), veio à tona, ainda segundo as investigações da PF, que Vorcaro pagou a hospedagem de Motta durante o Fórum Jurídico de Lisboa em 2024 e que ele teria viajado no jato do ex-banqueiro. A hospedagem foi bancada em um hotel de luxo em Lisboa, Portugal. A PF localizou as reservas a Motta em Lisboa ao analisar um diálogo de Vorcaro no WhatsApp com um interlocutor identificado como Leo Serrano, que seria responsável por fazer as reservas solicitadas pelo então banqueiro. Na conversa, de 18 de junho de 2024, Vorcaro avisa que precisaria de uma reserva para ele e dois quartos, sendo um para “Hugo” e outro para “Ciro”, em referência ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em outra mensagem a Serrano, o ex-banqueiro demonstra preocupação com a privacidade dos convidados e afirma que nem o “papa” poderia subir no andar onde seria o evento. Ele ainda sugere que seria importante uma pessoa vigiar os elevadores do hotel para impedir o acesso de quem não era convidado para o evento. Em resposta ao áudio, Serrano diz “OK” e pergunta a Vorcaro se teria a lista de quem poderia entrar no local. Vorcaro encaminha a lista com o nome de outros políticos. O relatório não traz detalhes sobre os demais participantes. Em relação a Motta e Nogueira, a PF disse que cruzou os dados das mensagens com comprovantes de pagamentos encontrados no aparelho celular de Vorcaro, que confirmariam o custeio das diárias dos parlamentares. Questionado sobre o assunto na terça, Motta disse acompanhar com “tranquilidade” e confirmou o pagamento da hospedagem em Lisboa. “Não vejo problema, é um evento corporativo, um encontro jurídico, que inclusive participei esse ano já como presidente da Câmara, não vejo problema algum.” Ele defendeu que as apurações aconteçam da “maneira isenta e imparcial” e se mostrou confiante de que as investigações não vão apontar crimes. A defesa de Nogueira disse que só se manifestaria nos autos. As investigações fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura possíveis fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Os investigadores apuram as ligações de políticos com Vorcaro e se esses deputados e senadores teriam defendido interesses do ex-banqueiro no Congresso. Os parlamentares negam a prática de irregularidades.