Há quem morra de amores pela selecção nacional. Há quem não morra e ligue pouco ao futebol patriota. Mas para todos há uma notícia: Portugal está numa relação. Uma relação estável. Uma relação estável com o vazio.O que se passou nesta quarta-feira em Houston, no empate (1-1) frente ao Congo, foi a demonstração de uma selecção apaixonada pelo controlo e com uma intimidade tremenda com a calma e o silêncio. E não parece querer mudar.A falta de verticalidade da equipa foi um problema permanente, com todos a quererem bola no pé, incapazes de provocarem arrastamentos aos centrais do Congo com movimentos no espaço.Portugal sai deste jogo com nada mais, nada menos do que 0,59 golos esperados (métrica que mede a probabilidade de sucesso de uma finalização). E o Congo terminou com 0,82. Neste Mundial, o valor da selecção só não é pior do que os das super-potências África do Sul, Cabo Verde, Argélia, Tunísia, Curaçau e Senegal. Não será preciso dizer muito mais sobre o que se passou em Houston.Antes do jogo, falámos por aqui da "hora P". E foi mesmo: P de penoso.Parecia promissorO Congo apareceu neste jogo com um 3x5x2 que, no papel, tem algumas virtudes a nível defensivo. É um sistema em “funil” que permite ter a defesa bastante larga, ter a zona central bastante preenchida e ainda deixar dois jogadores para transições.