Comunicado classifica entendimento como ‘oportunidade histórica’ e defende interrupção imediata dos combates, desarmamento do Hezbollah e reabertura de Ormuz 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversa com o presidente da França, Emmanuel Macron, durante sessão de trabalho da cúpula do G7 em Evian-les-Bains, na França — Foto: Haiyun Jiang/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 11:38 G7 clama por cessar-fogo no Líbano e vê acordo EUA-Irã como chance histórica Líderes do G7 pedem cessar-fogo imediato no Líbano, vinculando a estabilização ao recente acordo entre EUA e Irã, considerado uma "oportunidade histórica" para prevenir armas nucleares iranianas. O comunicado destaca o desarmamento do Hezbollah e a reabertura do Estreito de Ormuz. Apesar do apelo, confrontos continuam, com ataques entre Hezbollah e Israel. O acordo inclui eventual fim de sanções ao Irã, mas detalhes permanecem sigilosos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Líderes do G7 divulgaram nesta quarta-feira uma declaração conjunta pedindo um “cessar-fogo imediato” no Líbano, vinculando a estabilização do país à implementação do acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio. No texto, os chefes de governo de Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá classificaram o entendimento entre Washington e Teerã como uma “oportunidade histórica” e um “avanço” para impedir que o Irã obtenha armas nucleares e reduzir tensões regionais. “No Líbano, apoiamos, por meio de um cessar-fogo imediato e robusto, os esforços da liderança libanesa para alcançar o desarmamento do Hezbollah e o monopólio das armas, bem como para proteger a integridade territorial e a soberania do Líbano com as garantias internacionais de segurança apropriadas”, diz o texto. Os líderes também disseram apoiar o acordo firmado entre Estados Unidos e Irã “sob a forte liderança do presidente Trump” e afirmaram estar prontos para contribuir com sua implementação. Segundo o texto, o entendimento oferece uma oportunidade para impedir que Teerã adquira armas nucleares e enfrentar ameaças relacionadas às suas atividades regionais e ao seu programa de mísseis balísticos. O comunicado acrescenta que uma iniciativa liderada por Reino Unido e França poderá ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo, embora novas negociações ainda sejam necessárias para tratar das ameaças atribuídas ao Irã na região. A Agência Internacional de Energia (IEA) afirmou que a reabertura da passagem marítima é essencial para conter o choque provocado pela alta dos preços do petróleo e do gás. — A solução mais importante para esse problema é a abertura plena e incondicional do estreito de Ormuz à navegação — disse o diretor da agência, Fatih Birol. Além do Líbano, os líderes do G7 prometeram acelerar os esforços humanitários e de reconstrução em Gaza e pediram o fim da violência na Cisjordânia. No ataque mais recente, colonos israelenses vandalizaram uma mesquita e atearam fogo ao local na vila palestina de Jaljilya, segundo relatos locais. Imagens mostram os danos no interior do prédio, com pichações em hebraico nas paredes. Violência continua Enquanto os líderes defendiam um cessar-fogo imediato, os confrontos no Líbano continuaram. Segundo a rede catari al-Jazeera, o Hezbollah disparou uma barragem de foguetes contra tropas israelenses que avançavam perto de Kfar Tebnit, nos arredores de Nabatieh. A mídia estatal libanesa também informou que drones israelenses atingiram os vilarejos de Mansouri, Aaziyyeh e Braachit, causando vítimas. Os detalhes do acordo entre Estados Unidos e Irã permanecem oficialmente sob sigilo, mas cópias vazadas do memorando circularam na imprensa americana. De acordo com o texto, o Irã concordaria em reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz após a assinatura formal do acordo e teria autorização para vender petróleo sem restrições. O acordo também prevê o fim imediato dos combates entre Israel e Hezbollah no Líbano, embora não mencione uma retirada das tropas israelenses, uma das principais exigências de Teerã. As informações vazadas indicam ainda que Washington trabalharia para encerrar sanções americanas e das Nações Unidas contra o Irã caso seja alcançado um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano. Reportagens também mencionaram a possibilidade de um fundo de US$ 300 bilhões para reconstrução e desenvolvimento econômico do país. Trump negou que exista qualquer compromisso financeiro americano com a reconstrução iraniana e afirmou que o memorando não é definitivo. Em reunião com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, durante a cúpula do G7, Trump disse que poderá retomar ataques contra o Irã caso não aprove os termos finais do acordo. — É um memorando de entendimento e, se eu não gostar dele, voltaremos a atirar neles, a lançar bombas. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos imediatamente a lançar bombas bem no meio da cabeça deles — afirmou, rejeitando informações de que o acordo inclua um fundo de reconstrução para Teerã. — Não vamos colocar nem 10 centavos. Não estamos investindo e não temos nenhum fundo. O vice-presidente americano, JD Vance, descreveu o memorando como “um acordo de paz regional” que inclui os países do Golfo, Israel e o Líbano. Em entrevista ao programa da jornalista americana Megyn Kelly, ele reconheceu que o cessar-fogo no território libanês ainda é imperfeito, com “alguns disparos de ambos os lados”, embora tenha destacado que “há muito menos tiros agora do que havia há duas semanas”: — Às vezes, um cessar-fogo significa apenas que estão atirando menos. Esse é o progresso, e então você passa para a próxima etapa — disse, acrescentando que o texto do acordo será divulgado até sexta-feira, com negociadores do Catar e do Paquistão pedindo que a publicação ocorra de forma gradual devido a sensibilidades diplomáticas. No Líbano, o presidente Joseph Aoun adotou um tom mais conciliador em relação ao Irã e afirmou que o país aceita ajuda de qualquer nação para alcançar um cessar-fogo, incluindo Teerã. Ao mesmo tempo, ressaltou que as negociações entre Líbano e Israel seguem de forma independente do acordo entre Estados Unidos e Irã. — As garantias que recebemos, e aquilo em que insistimos, são de que o caminho do Líbano nas negociações é independente, embora certamente sejamos favoráveis a um cessar-fogo e a qualquer país que nos ajude, incluindo o Irã — afirmou, acrescentando: — O Estado libanês é soberano em suas decisões e, pela primeira vez, é ele quem conduz as negociações, e ninguém negocia em nosso nome. Desde o anúncio do acordo entre EUA e Irã, famílias deslocadas pela guerra no sul do Líbano começaram a retornar para suas casas. Muitas encontraram suas vilas e cidades quase completamente destruídas pelos bombardeios israelenses, que mataram quase 4 mil pessoas e deslocaram mais de um milhão desde a retomada dos confrontos com o Hezbollah, em 2 de março. A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que ataques israelenses continuaram no sul do país na manhã desta quarta, mesmo após os líderes do G7 pedirem um cessar-fogo imediato.