A entidade da concorrência espanhola abriu uma investigação aos seis maiores grupos bancários do país, quatro dos quais com uma presença relevante em Portugal. Metade destes bancos esteve também a braços, em Portugal, com um processo levantado pela Autoridade da Concorrência sobre crédito, e que acabou anulado em tribunal devido à prescrição dos factos.O tema da investigação em Espanha ao Bankinter, Banco Santander, BBVA, Unicaja, CaixaBank e Sabadell está também relacionado com o crédito dado pelos bancos, mas tem contornos específicos, transmitidos em comunicado emitido esta terça-feira, 16 de Junho, pela CNMC, a supervisora espanhola de mercados e da concorrência.“A investigação está a averiguar se alguns gestores fizeram declarações públicas relativas à futura política comercial do banco, particularmente relativas a créditos com taxas de juro fixas. Tais declarações poderão ter permitido que outras entidades do sector antecipassem o comportamento futuro dos concorrentes”, segundo a nota.Nos últimos tempos, os banqueiros foram falando sobre as taxas de juro nos créditos à habitação, e também se comentou a eventual existência de uma bolha nos empréstimos, declarações que a autoridade considera “constituírem indícios de uma infracção da Lei da Defesa da Concorrência” espanhola, ainda que não enumere publicamente de que se trata. O arranque do procedimento administrativo foi a 10 de Junho, tendo a CNMC 24 meses (dois anos) para terminar a investigação.Os visados são, por ordem alfabética, o Bankinter, o Banco Santander, o BBVA, o Unicaja, o CaixaBank e o Sabadell. O Santander e o CaixaBank, através do BPI, são os maiores grupos espanhóis presentes em Portugal, com o Bankinter a ter uma presença relevante no mercado português, sobretudo no crédito à habitação. O BBVA tem vindo a manter uma posição residual, mas não abandonou o país. O Sabadell e o Unicaja não têm retalho comercial em Portugal. A banca portuguesa controla um terço dos activos do sector português, daí que o Governo português tenha preferido que o Novo Banco fosse para o francês BPCE, sem presença no país, em vez de para o CaixaBank.Destes bancos, o Santander e o BBVA foram réus na investigação iniciada pela Autoridade da Concorrência ao intercâmbio de dados sensíveis sobre créditos (como spreads e volumes de produção) entre a quase totalidade do sector bancário nacional. O CaixaBank acabou por ser envolvido já que a meio do processo adquiriu o BPI, que era um dos réus. O Bankinter escapou-se logo, porque comprou a rede de retalho do Barclays, mas não essa contingência.Porém, todo o processo com as coimas de 225 milhões de euros ruiu porque as infracções imputadas pela Concorrência à banca em Portugal acabaram por ser arquivadas por prescrição dos factos (as trocas de informações ocorreram de 2002 a 2013). Em paralelo, a entidade colocou em consulta pública recomendações que visam abrir a concorrência do mercado bancário, mas o documento final não é ainda conhecido.Os bancos espanhóis presentes em Portugal não fizeram comentários, e não responderam até ao momento ao contacto do PÚBLICO. A única pessoa que falou foi a presidente da Associação Espanhola de Banca, Alejandra Kindelán, que, citada pela Europa Press, garante que os bancos “cumprem a legalidade”.“Os juros das hipotecas em Espanha são quase um ponto percentual mais baixo do que a média da zona euro, e isso é uma vantagem para os consumidores e para as pessoas que são proprietárias de casas em Espanha e estão hipotecadas”, continuou a responsável. Em Portugal, os banqueiros portugueses também utilizam o mesmo argumento para mostrar que não há problemas de competitividade do sector. De facto, os créditos têm juros mais baixos do que a média europeia, tal como os juros dos depósitos estão sempre entre os mais baixos da região.
Bancos presentes em Portugal investigados por falhas na concorrência em Espanha
Declarações de banqueiros espanhóis põem banca na mira. Seis grandes bancos, do Santander ao CaixaBank, rejeitam ilegalidades imputadas pela autoridade da concorrência de Espanha.










