O ministro da Administração Interna Luís Neves disse esta quarta-feira que o objectivo da reorganização da PSP em Lisboa, Porto e Setúbal "nunca foi encerrar esquadras por encerrar", avançando que ainda não há decisão sobre as estruturas da polícia que vão fechar."Iniciámos um processo de reorganização territorial da PSP em Lisboa, Porto e Setúbal. A PSP fez uma proposta que estou a avaliar", disse Luís Neves no Parlamento, onde está a ser ouvido, esclarecendo que "o objectivo desta reorganização nunca foi encerrar esquadras por encerrar".O ministro explicou que o Governo está a equacionar o encerramento de esquadras no "sentido de aproveitar e ter mais meios" e "mais polícias nas ruas", mas recusou a ideia de criação de super esquadras.O governante disse aos deputados que "o objectivo é libertar recursos administrativos e concentrar mais polícias naquilo que verdadeiramente faz a diferença para os cidadãos: o patrulhamento, a prevenção e a proximidade".Como o PÚBLICO escreveu no passado, o plano para encerrar este lote de esquadras foi elaborado antes do caso da esquadra do Rato, mas terá acelerado com o processo judicial que levou à detenção de 24 agentes suspeitos de tortura e agressões e no âmbito do qual estão presos preventivamente 13 polícias. No plano que foi entregue no final de Abril, a PSP propôs ainda um reforço da equipa de policiamento de proximidade com cerca de 500 agentes, algo que será possível também com o recrutamento de civis para os serviços técnicos e administrativos, “libertando” os agentes para o policiamento na rua.Quando questionado pela deputada do PCP Paula Santos sobre o encerramento da esquadra de Santo António dos Cavaleiros, o ministro respondeu: "Não posso dizer se é aquela ou outra esquadra que vamos fechar". Luís Neves referiu que uma esquadra tem que ter diariamente pelo menos 30 elementos policiais e, muitas vezes, está num "edifício completamente velho e destruído"."O que nós queremos, de facto, é colocar mais elementos de polícia a conhecer quem está na rua, a conhecer as pessoas, a conhecer os comerciantes, a apoiar e a interagir", frisou."Luz ao fundo do túnel" nos aeroportosNa mesma audição, o ministro da Administração Interna disse que a situação nos aeroportos portugueses está a melhorar, referindo que começa agora "a ver-se a luz ao fundo do túnel". "Há muitos dias a esta parte que a operação das nossas fronteiras corre bem, 40 minutos, 30 minutos, 15 minutos, 20 minutos" [de tempo de espera], disse Luís Neves no Parlamento, acrescentando que, no passado fim-de-semana, houve "um problema" durante "um momento" relacionado com "uma questão digital e que não foi imputável a Portugal", mas sim a partir de Bruxelas.O ministro garantiu que o Governo está "a trabalhar no sentido de recuperar" e que a operação montada nos aeroportos para acabar com as filas no controlo de passageiros "tendencialmente vai correr bem". "Depois de muito tempo apreensivos, estamos agora a começar a ver a luz ao fundo do túnel", disse Luís Neves.O novo sistema europeu de controlo de fronteiras, denominado Sistema de Entradas/Saídas (EES, sigla em inglês), entrou em funcionamento em Outubro de 2025 de forma faseada em Portugal e nos restantes países do espaço Schengen e desde então os tempos de espera nas fronteiras aéreas agravaram-se, principalmente no aeroporto de Lisboa, com os passageiros a terem de esperar, por vezes, várias horas.O EES está a funcionar a 100% desde o passado dia 10 de Abril e desde então, segundo a PSP, a Polícia de Segurança Pública tem recorrido à suspensão parcial da recolha dos dados biométricos em "circunstâncias excepcionais", nomeadamente quando "o tempo de espera num posto de fronteira aérea se torne excessivo".Para diminuir as filas de espera dos passageiros de fora do espaço Schengen, desde o final de Maio que o aeroporto de Lisboa foi reforçado com meios humanos e técnicos no controlo de fronteiras."Já houve agora um reforço de meios, temos mais boxes a funcionar, temos mais e-gates a funcionar, temos mais elementos a dar apoio nas fronteiras, estamos articulados com a ANA, temos reunido todas as semanas para fazer um ponto de situação daquilo que se passa" disse Luís Neves.O ministro acrescentou ainda que 360 polícias vão ser colocados nos aeroportos a partir de 3 de Julho.