O actor e realizador Sean Penn já escreveu o seu próximo filme e é sobre o ataque ao Capitólio, em Washington, a 6 de Janeiro de 2021. Tendo como pano de fundo a violenta insurreição que marcou uma página inédita na História do país, a obra poderá ser protagonizada por Bradley Cooper, avançou o site especializado Deadline.O estúdio associado ao filme é nada mais, nada menos do que a Warner Bros., que se encontra num processo de fusão com a Skydance Paramount, detida desde o ano passado por David Ellison — o jovem milionário norte-americano cuja família é próxima de Donald Trump e que já pôs em marcha várias mudanças nos canais do grupo. Entre elas inclui-se a abolição das políticas empresariais de diversidade e inclusão, tidas como boas práticas para a igualdade de oportunidades e muito criticadas pela actual administração dos Estados Unidos, e alterações cirúrgicas nas chefias do braço noticioso do canal CBS, por exemplo.O negócio entre a Warner e Penn, que tem ao seu lado os produtores John Ira Palmer e John Wildermuth, da Projected Picture Works, é no entanto um “negative pickup”. Trata-se de um tipo de contrato em que um estúdio (ou plataforma de streaming) concorda em comprar um filme já finalizado e por um preço fixo, não financiando a sua produção à cabeça e deixando esse gasto para os produtores. Se o modelo dá liberdade criativa aos autores, também reduz, por outro lado, os riscos financeiros do estúdio.O filme terá sido descrito pelo actor como um “projecto feito por paixão”, centrado na personagem de um polícia que se vê no meio do ataque incitado por Donald Trump após ter perdido as eleições de 2020 para o democrata Joe Biden. Fontes próximas de Penn explicam que o filme não é directamente sobre o ataque ao Capitólio mas que este tem um papel determinante numa história sobre amizades inesperadas.“A causa principal do 6 de Janeiro foi um homem, o antigo Presidente Donald Trump, que muitos outros seguiram. Nada do que se passou a 6 de Janeiro teria acontecido sem ele”, concluiu o relatório final da comissão de inquérito sobre a invasão ao Capitólio norte-americano em Dezembro de 2022. Penn, recorde-se, esteve presente nas audições que então tiveram lugar. Na altura, interrogado pelos jornalistas sobre a sua presença, disse ser “só mais um cidadão” a observar os procedimentos.“Penso que todos vimos o que aconteceu no dia 6 de Janeiro e agora estamos à espera de ver se será feita justiça”, comentou na altura à CNN.Nas audições, Penn sentou-se junto do ex-polícia de Washington Michael Fanone, mas não há certezas sobre se a história pessoal deste agente no âmbito da insurreição será fonte de inspiração para o filme. Fanone reformou-se em 2021 e é agora analista na área da regulamentação da actividade das autoridades policiais. Escreveu o livro Hold the Line: The Insurrection and One Cop's Battle for America's Soul (2022) sobre o que lhe aconteceu na escadaria do Capitólio, para onde se deslocou num dia de folga ao ouvir os apelos das forças de segurança da cidade quando decorria o ataque.Identificado como agente da autoridade, foi espancado e atacado pela multidão com químicos, canos e dispositivos de choque eléctrico, entre outras agressões, tendo sofrido um traumatismo craniano, queimaduras e um enfarte. Testemunhou perante o Congresso sobre o ataque. Tinha votado em Trump e já renegou publicamente esse apoio."Inimigo da humanidade"Sean Penn é uma personalidade de Hollywood conhecida pelo inconformismo e pelo activismo político — não é raro saber-se que viajou até à Ucrânia, no decurso da já longa guerra que se sucedeu à invasão do país pela Rússia em Fevereiro de 2022, nem são secretas as suas opiniões sobre o actual Presidente, Donald Trump, que conseguiu voltar à Casa Branca no início de 2025.