Estado amazônico funcionou como corredor logístico para distribuição de armamento pesado, aponta investigação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os delegados Hugo Cardias, Simone Arruda e Wesley Costa, da Polícia Civil de Roraima, durante coletiva de imprensa nesta terça (16) — Foto: Reprodução/ Polícia Civil de Roraima RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 19:05 Operação em Roraima desmantela esquema de tráfico de armas do Tren de Aragua A Polícia Civil de Roraima realizou uma operação contra o Tren de Aragua, revelando um esquema de tráfico de armas dos EUA e Colômbia para facções brasileiras. O estado amazônico funcionava como corredor logístico. Ação resultou em 11 prisões e apreensão de veículos de luxo e armamentos. O grupo, classificado como organização criminosa transnacional, tem forte infiltração no Brasil e atua em diversos crimes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Polícia Civil de Roraima realizou nesta terça-feira (16) uma operação contra a atuação da facção venezuelana Tren de Aragua no Brasil. A ação visou especialmente o tráfico de armas, com busca e apreensão em diversos estados, incluindo, além de Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Onze pessoas foram presas, a polícia apreendeu 11 veículos, alguns deles de luxo, e também foram encontrados armamentos pesados com os suspeitos, além de quantias significativas de dinheiro em espécie. Os policiais da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas (Draco) afirmaram que Roraima funcionava como uma espécie de corredor logístico para a distribuição de armamento pesado traficado por integrantes do Tren de Aragua. Os armamentos eram provenientes dos Estados Unidos e da Colômbia. Agentes da Polícia Civil durante operação contra membros da facção venezuelana Tren de Aragua — Foto: Polícia Civil de Roraima/ Divulgação — Essas armas eram enviadas para o Amazonas e, em um segundo momento, para o estado do Rio. Armas oriundas dos EUA, da Colômbia e da Venezuela. A operação de hoje ataca um elo muito importante dessa organização, o financeiro. A parte financeira desses faccionados, que recebiam vultuosas somas pelos serviços de envio de armamento pesado — disse o delegado Wesley Costa, da Polícia Civil de Roraima. A operação desta terça-feira, de acordo com a polícia, demonstrou que o Tren de Aragua possui "um alto nível de infiltração no território brasileiro", com operações estruturadas para lavagem do dinheiro arrecadado com a venda de armamento para grupos como o Comando Vermelho. Alguns dos veículos ligados aos suspeitos que foram alvo da operação custam mais de R$1 milhão, informam os policiais. No Rio, foi apreendido um Porsche e em São Paulo, uma Land Rover. Também foram encontrados armamentos, entre eles pistolas, submetralhadoras e fuzis. A quantia total de dinheiro em espécie apreendida passa de R$ 320 mil, somando os valores em real (R$76,7 mil) e dólar (US$ 48 mil) encontrados durante os mandados de busca e apreensão. — A facção atua em vários ramos (no Brasil) e o primeiro deles é o tráfico de drogas, com alguns locais dominados por eles. Havia também casas que eles controlavam e exploravam. Alugavam uma casa onde deveriam morar duas famílias, três famílias, e colocavam lá dentro dez famílias. E os maiores integrantes da organização faziam entendimentos com as outras facções (brasileiras) para transportes de armas e drogas oriundos da Venezuela — disse o delegado Wesley Costa. Durante coletiva de imprensa que detalhou a operação, a Polícia Civil de Roraima também informou sobre as operações promovidas pelos EUA, em conjunto com o governo venezuelano, contra o Tren de Aragua. O presidente dos EUA, Donald Trump, divulgou que o líder do grupo, Héctor Guerrero Flores, o "Ninõ Guerrero", foi morto em um ataque realizado na última sexta-feira, 12 de junho. O governo Trump tem repetidamente descrito o Tren de Aragua como um dos focos de suas políticas de deportação, indicando que os membros da organização infiltraram-se ilegalmente no EUA e "estão conduzindo uma guerra irregular e realizando ações hostis". — Com esse enfrentamento americano, que ocorre especificamente na região de Las Claritas (na Venezuela), fatalmente teremos uma pressão maior na nossa faixa de fronteira. Porque, provavelmente, alguns desses faccionados venezuelanos vão querer utilizar o Brasil com rota de fuga — disse Costa. O que é a facção O governo de Joe Biden, presidente dos EUA entre 2021 e 2025, classificou o Tren de Aragua como organização criminosa transnacional, e a Casa Branca de Trump iniciou o processo para designá-la como organização terrorista internacional ainda em janeiro. O Tren de Aragua nasceu em 2014, na prisão de Tocorón, no estado de Aragua, na Venezuela. Sob a liderança de Flores, Tocorón tornou-se uma das prisões mais notórias do país. A liberdade dos criminosos no local e os lucros obtidos com suas atividades permitiram a construção de piscina, restaurante, boate e até um zoológico dentro da prisão. Com o colapso econômico da Venezuela e o aumento da repressão do governo de Nicolás Maduro, a gangue passou a explorar migrantes vulneráveis. Em pouco tempo, sua influência se espalhou por outras partes da América Latina, e o Trem de Arágua se tornou uma das organizações criminosas mais violentas da região, com foco no tráfico sexual, contrabando de pessoas e tráfico de drogas. Relatórios obtidos pelo GLOBO mostram os métodos violentos usados pela faccção para eliminar desafetos e tomar territórios. Em janeiro de 2025, investigadores identificaram um cemitério clandestino em Boa Vista, com dez corpos, suspeitos de serem de desafetos do Tren de Aragua, que assumiu o controle de bocas de fumo em pelo menos cinco bairros da capital de Roraima. A facção também tem atuado em Manaus e nas fronteiras do estado do Amazonas.