Newsom e presidente dos EUA, de partidos diferentes, há muito trocam críticas e já entraram em conflito várias vezes Gavin Newsom, governador do estado da Califórnia — Foto: Rich Pedroncelli/AP Photo O governador da Califórnia, Gavin Newsom, acusou nesta segunda-feira (11) o presidente Donald Trump de orientar o Departamento de Justiça a conduzir uma investigação contra ele e sua esposa por motivos políticos. “Donald Trump não está me atacando apenas por causa dos meus tuítes provocativos”, disse Newsom em uma declaração em vídeo publicada na plataforma X. “Ele está me atacando porque estou considerando concorrer à Presidência.” O Departamento de Justiça e a Casa Branca não responderam imediatamente a um pedido de comentário. Newsom afirmou que agentes federais têm batido à porta de membros de sua família, amigos e ex-funcionários nos últimos dias, exigindo registros e examinando documentos de anos atrás. “Não porque tenham encontrado um crime. Mas porque estão simplesmente tentando encontrar um”, disse Newsom. Dirigindo-se diretamente a Trump no vídeo, Newsom declarou: “Você pode intimar meus registros. Pode me investigar. Pode me assediar. Pode colocar meu nome em toda e qualquer lista de inimigos que tenha, mas deixe minha esposa e minha família fora da sua vendeta pessoal.” Newsom e Trump há muito trocam críticas e já entraram em conflito sobre temas importantes, incluindo mudanças climáticas, oleodutos e a decisão do presidente republicano de mobilizar tropas da Guarda Nacional para o estado no verão passado. No ano passado, Trump afirmou que apoiaria a prisão de Newsom por sua suposta obstrução das ações de fiscalização da imigração na Califórnia. Desde que retornou à Casa Branca para um segundo mandato, Trump tem usado o Departamento de Justiça para mirar diversos adversários políticos percebidos, promovendo ações criminais contra o James Comey ex-diretor da polícia federal americana, o FBI, bem como a procuradora-geral do estado de Nova York, Letitia James, e o ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton. O departamento também abriu investigações sobre autoridades dos EUA que concluíram que a Rússia interferiu na eleição presidencial de 2016 para favorecer a primeira campanha de Trump, parlamentares democratas que incentivaram militares a desobedecer ordens ilegais e doadores e grupos de arrecadação de fundos ligados a causas apoiadas pelos democratas. Um levantamento da Reuters publicado em novembro de 2025 apontou que pelo menos 470 pessoas, organizações e instituições haviam sido alvo de retaliações desde o início do segundo mandato de Trump.