O governo dos Estados Unidos trabalha para aprovar o Clarity Act antes do recesso legislativo, afirmou Patrick Witt, diretor-executivo do Conselho de Assessores para Ativos Digitais da Casa Branca, durante a Stablecoin Conference 2026, realizada na Cidade do México. Witt participou por videoconferência de um bate-papo com Daniel Vogel, cofundador e CEO da Bitso, que promove o evento. O Clarity Act estabelece um marco mais amplo para o mercado de criptoativos nos Estados Unidos, com a definição das competências dos reguladores sobre diferentes tipos de ativos digitais. Segundo o calendário do Senado americano, há um período sem sessões no início de julho e outro a partir de 10 de agosto, mas Witt não especificou a qual deles se referia. “Temos que fazer isso antes do recesso”, afirmou. Witt disse que a tramitação do projeto ocorre em meio a negociações complexas entre reguladores, empresas do setor, instituições financeiras tradicionais e diferentes grupos de interesse em Washington. Segundo ele, ainda há divergências entre os próprios participantes do mercado sobre quais pontos devem ser priorizados. “É um desafio tentar reunir todos esses interesses e chegar a um texto que faça sentido”, afirmou. O Clarity Act é visto como a segunda etapa da agenda cripto da administração Donald Trump, depois da aprovação do Genius Act, voltado às stablecoins. No evento, Witt resumiu os dois projetos como partes complementares da estratégia americana para o setor. “Genius é para stablecoins. O Clarity Act é para todo o resto”, disse. Segundo ele, a combinação das duas propostas deve dar às agências reguladoras uma base mais clara para escrever normas e reduzir a incerteza jurídica enfrentada por empresas de criptoativos nos Estados Unidos. A avaliação de Witt é que, sem regras definidas, o setor fica sujeito a interpretações fragmentadas de diferentes órgãos supervisores. No caso das stablecoins, Witt afirmou que o governo americano vê os tokens lastreados em dólar como uma forma de ampliar a influência global da moeda dos Estados Unidos. “Ao redor do mundo, as pessoas já confiam no dólar. As stablecoins são uma maneira de continuar ampliando essa capacidade”, afirmou. Segundo ele, a expansão do setor foi puxada pelo próprio mercado e superou as expectativas iniciais do governo. O assessor citou países como Venezuela e Argentina, onde, segundo ele, stablecoins têm sido usadas como proteção diante da instabilidade econômica local. Para Witt, esse uso reforça a dimensão geopolítica do tema, ao permitir que pessoas fora dos Estados Unidos tenham acesso a ativos digitais lastreados em dólar. “Estamos oferecendo acesso ao dólar para pessoas ao redor do mundo por meio dessa inovação”, disse. Ao comentar sobre regulação fora dos Estados Unidos, Witt defendeu que empresas do setor participem mais diretamente das discussões em seus países. “Engajem os formuladores de políticas. Ajudem seus reguladores”, afirmou. Segundo ele, não há nada melhor para quem escreve regras do que ouvir diretamente de quem opera no mercado como a legislação afeta negócios e usuários. * A repórter viajou a convite da Bitso15/06/2026 14:42:15