O índice pan-europeu Stoxx 600 renovou sua máxima histórica de fechamento nesta segunda-feira (15), refletindo o otimismo no mercado quanto ao acordo preliminar entre os Estados Unidos e o Irã. O alívio nos preços do petróleo e a redução do prêmio de risco geopolítico nos ativos levaram as bolsas do velho continente a avançarem, com exceção da Bolsa de Londres. O Stoxx 600 encerrou em alta de 0,25%, aos 634,81 pontos, o DAX, de Frankfurt, ganhou 1,05%, aos 24.894,01 pontos, e o CAC 40, de Paris, avançou 0,40%, aos 8.384,01 pontos. Na contramão de seus pares, o FTSE 100, de Londres, destoou e caiu 0,39%, aos 10.430,62 pontos. Os setores financeiro (+2,24%), de luxo (+1,10%) e viagens e lazer (+1,16%) são, mais uma vez, alguns dos mais beneficiados pela desescalada da tensão entre os Estados Unidos e o Irã. Os termos exatos do acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não foram divulgados, embora o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, tenha afirmado que o pacto exigia “o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano”. Além disso, o presidente Donald Trump autorizou a reabertura irrestrita do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio ao Irã, com vigência a partir da assinatura do acordo. Vale notar que o acordo será de mais um cessar-fogo de 60 dias, durante o qual outra tratativa mais abrangente será negociada. A Reuters reportou que o destino do programa nuclear iraniano, outra questão crucial para Trump, será abordado nessas conversas posteriores. Apesar da reação positiva do mercado, analistas têm mostrado cautela quanto aos próximos passos no Oriente Médio. “O acordo é frágil. Mas, para os mercados, a palavra ‘acordo’ geralmente basta para desencadear uma reação, e a direção aqui é claramente otimista em relação ao apetite por risco”, avalia Chris Beauchamp, do IG. “Existem razões importantes para não nos deixarmos levar pelo entusiasmo. O prazo de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear iraniano aborda questões que já frustraram diversas administrações americanas”, acrescentou o analista-chefe de mercados. Os mercados europeus exibiram, desde o início da guerra, desempenhos aquém dos pares desenvolvidos, visto que o continente tem uma maior dependência de exportação petrolífera e mostrou maior contaminação do choque energético na inflação, o que levou o Banco Central Europeu (BCE) a elevar as taxas na zona do euro na semana passada, pela primeira vez desde 2023. Ainda é aguardada a decisão do Banco da Inglaterra (BoE) na próxima quinta-feira. — Foto: Peter Juelich/Bloomberg