O Spotify, uma das maiores plataformas de áudio do mundo, removeu recentemente milhares de podcasts que estavam a ser utilizados para promover ciberfarmácias ilegais. Um relatório da Comissão Económica Conjunta do Congresso dos EUA (Joint Economic Committee) publicado na quinta-feira, 11 de Junho, acusa a empresa de só ter agido após o escrutínio da comunicação social.Em Maio de 2025, vários meios de comunicação noticiaram a existência de podcasts no Spotify que pareciam direccionar os utilizadores para farmácias online ilegais. Na altura, a CNN identificou dezenas de programas que promoviam medicamentos estimulantes como o Adderall, usado para tratar a perturbação de hiperactividade e défice de atenção (PHDA), analgésicos como o Oxycontin e outros opióides. Um relatório da Business Insider denunciou centenas de outros programas do mesmo género na plataforma.Em alguns casos, estes “podcasts” continham apenas alguns segundos de áudio com uma voz gerada por computador a promover a venda de medicamentos sem necessidade de receita médica. Noutros casos, as descrições dos episódios e as imagens de capa no Spotify continham ligações para aquilo que aparentavam ser websites de farmácias, assim como instruções para a compra dos fármacos.Após as denúncias dos meios de comunicação social, a senadora democrata Maggie Hassan, responsável pela investigação do Congresso, abriu um inquérito e enviou pedidos de informação sobre os podcasts identificados nas reportagens ao Spotify. O relatório da investigação agora divulgado considera que o facto de o Spotify só ter identificado e começado a resolver o problema após a cobertura mediática “levanta questões sobre as capacidades de moderação da plataforma numa era marcada pela proliferação de conteúdos gerados por inteligência artificial”.A resposta do SpotifyO Spotify informou a Comissão de que as acções relativas aos conteúdos denunciados em Maio de 2025 envolveram mais de três mil programas (ou contas) e mais de 57 mil episódios. Já em 2024 — antes da reportagem da CNN e dos pedidos da senadora — o Spotify tinha actuado apenas contra 87 contas de podcasts por motivos semelhantes, refere o relatório.A plataforma verificou que estes conteúdos eram “em grande medida desprovidos de conteúdo falado” e que “não geravam um envolvimento significativo — 94% não tinham qualquer reprodução e 99% tinham menos de dez”. Apenas cinco podcasts registaram mais de 100 reproduções, definidas pelo Spotify como sessões de escuta superiores a 30 segundos. Dois desses podcasts acumularam quase 13 mil reproduções e encaminhavam os utilizadores para um website que explicava como adquirir Modafinil — um estimulante cognitivo — através de fontes online, incluindo pagamentos em Bitcoin.
Spotify remove milhares de podcasts que promoviam venda de drogas online
Acções envolveram a eliminação de mais de três mil programas e de quase 60 mil episódios que faziam publicidade a ciberfarmácias ilegais.
Spotify removeu 3 mil podcasts ilegais, só após investigação mediática (94% zero views, AI-generated). Sem proibição de AI-generated content em plataforma streaming alguma, risco crescente de compliance e reputação corporativa.










