O presidente Emmanuel Macron afirmou nesta segunda-feira (15) que a França não cederá à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e não revogará seu imposto sobre gigantes americanas de tecnologia, poucas horas antes de os dois se encontrarem durante uma cúpula do Grupo dos Sete (G7). Antes de partir para a reunião de líderes do G7, que Macron sedia às margens do Lago Léman, Trump advertiu que os EUA "não terão escolha" a não ser impor tarifas de 100% sobre os vinhos franceses caso Paris não elimine o imposto digital. Trump disse ao New York Post que transmitiu o alerta diretamente a Macron, exigindo que ele retire a taxa de 3% aplicada às gigantes americanas de tecnologia ou enfrente tarifas no mercado dos EUA. "Tudo o que (Macron) precisa fazer é acabar com o imposto sobre vendas, e ele não enfrentará esse tipo de pressão", disse Trump, segundo o jornal. A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário sobre a reportagem do New York Post. Macron disse ao canal francês TF1 que "as tarifas não fazem bem a ninguém, especialmente as tarifas entre países do G7". Questionado se cederia às ameaças tarifárias, respondeu: "Não, porque não é assim que as coisas funcionam". O presidente francês Emmanuel Macron se reúne com forças de segurança antes da cúpula do G7 em Evian-les-Bains, França, na segunda-feira, 15 de junho de 2026. — Foto: AP/Christophe Ena A França aplica desde 2019 uma taxa de 3% sobre a receita obtida com serviços digitais por empresas que faturam mais de 25 milhões de euros no país e 750 milhões de euros em todo o mundo. Exportadores franceses de vinhos e destilados disseram que a mais recente ameaça dos EUA é uma má notícia para um setor dependente das exportações, envolvido em uma disputa que foge ao seu controle, e pediram uma atuação responsável. Trump já ameaçou anteriormente impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e outras bebidas alcoólicas importadas da França e da União Europeia, inclusive em janeiro deste ano e em março do ano passado. Ele participará da reunião do G7, que reúne as principais economias avançadas do mundo, num momento em que líderes globais demonstram crescente cautela em relação aos Estados Unidos. Para Macron, a cúpula representa o coroamento diplomático de seu segundo e último mandato, que termina no próximo ano. As bebidas alcoólicas estão entre os principais produtos exportados pela União Europeia para os EUA, com um valor de cerca de 9 bilhões de euros em 2024, segundo dados da Eurostat. Produtos como o conhaque Rémy Martin e o champanhe precisam ser produzidos em regiões específicas da Europa. Os vinhos e destilados exportados da UE para os EUA enfrentam atualmente uma tarifa de 15%, percentual que os franceses vêm tentando reduzir a zero desde que Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fecharam um acordo comercial entre EUA e UE na Escócia no verão passado.
Macron diz que França não cederá à pressão de Trump sobre imposto digital
Presidente americano advertiu que EUA 'não terão escolha' a não ser impor tarifas de 100% sobre os vinhos franceses caso Paris não elimine as cobranças











