O governo de Taiwan lançou no domingo (14) um site para incentivar cidadãos chineses a enviarem informações de inteligência, afirmando oferecer um canal seguro a um número crescente de pessoas que, segundo Taipé, estão insatisfeitas com o sistema e desejam mudanças. Taiwan e China, que considera a ilha governada democraticamente como parte de seu território, há muito tempo espionam-se mutuamente. Taiwan, em particular, tem relatado aumento de casos de espionagem envolvendo chineses. O gabinete de Segurança Nacional de Taiwan afirmou no site que, nos últimos anos, a economia da China enfrenta dificuldades crescentes, enquanto o controle político permanece “rigoroso”. “Somadas a uma gama cada vez maior de problemas sociais e de subsistência, essas condições alimentaram o descontentamento público”, disse o órgão em comunicado em chinês e inglês. “Como resultado, um número crescente de indivíduos procurou agências relevantes em Taiwan, desejando fornecer diferentes tipos de informação.” O Escritório de Assuntos de Taiwan da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O site exibe um vídeo promocional de um minuto que, segundo o órgão, foi gerado por inteligência artificial, mostrando um funcionário público chinês testemunhando colegas sendo investigados e afastados de seus cargos. “Ah, mais uma pessoa foi levada”, diz o funcionário, em sotaque do norte da China, com legendas em caracteres simplificados. “Os velhos camaradas estão desaparecendo inexplicavelmente um a um”, diz o narrador. O vídeo termina com o funcionário comprando um celular e digitando: “Agora é o momento de mudar”. O site é bloqueado na China, embora muitos chineses usem VPNs para acessar plataformas bloqueadas, como redes sociais ocidentais e mecanismos de busca. O gabinete pediu que cidadãos chineses, dentro ou fora do país, “forneçam ativamente informações e promovam mudanças com coragem”. Segundo o órgão, a iniciativa segue o modelo de agências de países como Estados Unidos, Reino Unido e Israel. O canal permite que cidadãos chineses enviem informações de inteligência para “ampliar as fontes diversificadas de informação” do gabinete. A China já adotou estratégias semelhantes. Em 2024, anunciou um endereço de e-mail para denúncias sobre crimes cometidos por “separatistas” de Taiwan. O governo de Taiwan rejeita as reivindicações de soberania de Pequim, afirmando que apenas o povo da ilha pode decidir seu futuro. Taiwan — Foto: Timo Volz/Unsplash