Companhia referência em saneamento antecipa padrões de transparência e de responsabilidade operacional para sustentar a expansão em um setor que precisa atrair mais de 900 bilhões até 2033 Com 16 anos de operação, a Aegea opera atualmente em 893 municípios de 15 estados e atende 39 milhões de pessoas. — Foto: Divulgação Converter um registro da categoria "B" para a "A" na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pode parecer, à primeira vista, um ato meramente técnico e comum para o mercado, que habilita uma empresa a negociar ações. Para a Aegea, no entanto, é a tradução de uma decisão maior. Por trás desse passo, há uma intenção declarada: estar pronta, para o padrão mais rigoroso de transparência e governança exigido às companhias listadas. A empresa adotou, voluntariamente, as práticas do Novo Mercado da B3. "A nossa escolha foi a de nos antecipar", afirma Radamés Casseb, CEO da Aegea. "Queremos estar preparados para o futuro.” O estar preparado “mais cedo” responde a uma demanda tanto regulatória quanto mercadológica e socioeconômica. A Aegea é uma das protagonistas em um setor que precisa atrair mais de 900 bilhões para cumprir as metas de universalização estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento: abastecer 99% da população com serviços de água e conectar ao menos 90% à rede de coleta de esgoto até 2033. Para isso, é fundamental adotar padrões de governança e transparência compatíveis com o capital que se quer atrair. Com 16 anos de existência, a Aegea opera atualmente em 893 municípios de 15 estados e atende 39 milhões de pessoas. Os contratos da companhia têm prazo médio de 31 anos. Para uma operação dessa escala, chegar ao mercado de capitais sem antes ter testado, por dentro, as exigências de quem opera nele é um risco maior do que o esforço de antecipar. A categoria A, nessa lógica, funciona como um compromisso voluntário: testar a estrutura agorapara que o eventual passo seguinte aconteça com maior previsibilidade. Segundo Casseb, os últimos meses já produziram efeitos concretos, com revisão de processos, ajustes de estrutura e amadurecimento institucional. Radamés Casseb, CEO da Aegea: "A nossa escolha foi por antecipar os desafios. Queremos estar bem preparados para o futuro que está batendo na porta”. — Foto: Divulgação Responsabilidade financeira e operacional Para o executivo, essa preparação também passa pela disciplina na alocação de capital. Em concessões com ciclos de três décadas, diz o CEO, a responsabilidade financeira começa antes da assinatura do contrato. Ela começa na definição da engenharia adequada, da estrutura de capital correta e de um preço capaz de sustentar a operação no longo prazo. “A gente se prepara para que, no nascimento de cada compromisso contratual, essa jornada de 30 anos seja o mais saudável possível”, resume. Essa disciplina também se materializa na forma como a companhia disputa novos ativos. Segundo Casseb, nas concessões vencidas pela Aegea, a outorga paga por cliente atendido tem sido, em média, metade do observado em projetos conquistados por concorrentes. Para ele, esse é um indicador de responsabilidade financeira: vencer disputas não por pagar mais, mas por estruturar melhor cada projeto desde a origem. Ao longo dessa trajetória como plataforma de investimentos em saneamento a companhia vem combinando sua capacidade operacional com o apoio de sócios e parceiros financeiros para desenhar estruturas de capital adequadas a cada ativo, afirma o executivo. “Isso permite garantir que cada projeto tenha a estrutura necessária para cumprir as entregas, ampliar a qualidade dos serviços e gerar valor ao longo da concessão”, diz. Ainda, segundo o executivo, a combinação entre disciplina financeira, eficiência operacional e maturação dos ativos é um dos pilares da geração de caixa e da criação de valor de longo prazo. O Modelo Operacional Aegea Boa parte desse amadurecimento se traduz em um sistema interno conhecido como Modelo Operacional Aegea (MOA). Na prática, é o arcabouço de gestão e eficiência operacional da empresa: um conjunto de processos padronizados que orienta a forma como a Aegea implementa sistemas de saneamento em qualquer cidade, da leitura de um hidrômetro à gestão de um contrato regulatório. É por meio desse modelo, ainda, que a companhia organiza a execução dos investimentos, acompanha indicadores operacionais, amplia a base de clientes e faz a gestão regulatória dos contratos. Este arcabouço é atualizado sempre que uma operação implementa uma forma melhor de fazer algo, e essa nova forma passa a valer para as outras. Desenvolvido, testado e aprimorado ao longo dos 16 anos da companhia, o modelo opera hoje em municípios de 1,8 mil a 6,2 milhões de habitantes com perfis demográficos, de renda e dinâmicas regulatórias diversos. “É a materialização, em processos, das diretrizes que saem do Conselho Administrativo e dos Comitês”, define Casseb. Um caso emblemático nasceu em Manaus (AM). Para atender comunidades ribeirinhas que vivem sobre palafitas, a Aegea desenvolveu um sistema de redes aéreas, uma solução de engenharia replicável e escalável, desenvolvida para responder a condições locais específicas. A solução foi posteriormente aplicada no complexo da Maré, no Rio de Janeiro, onde a topografia urbana exigia uma resposta semelhante. "O paradigma mais próximo disso hoje é a alimentação de um LLM (Large Language Model), modelo de inteligência artificial treinado para processar grandes volumes de informação", compara o CEO. "Os inputs chegam o dia inteiro e, então, um grupo de profissionais faz a gestão do conhecimento e define o que interessa replicar.” Em Manaus, a Aegea desenvolveu um sistema de redes aéreas, que é uma solução de engenharia replicável e escalável. — Foto: Divulgação Governança que sustenta a escala Essa estrutura de crescimento também é sustentada por compromissos formais de governança, integridade e transparência. Além da migração para a categoria A na CVM e da adoção voluntária das práticas de governança corporativa alinhadas ao Novo Mercado da B3, a companhia foi a primeira do setor a conquistar a certificação ISO 37001, voltada à gestão antissuborno, e aderiu ao Movimento Transparência 100%, iniciativa do Pacto Global da ONU no Brasil. No aspecto financeiro, a companhia recebeu R$ 8 bilhões em aportes dos acionistas nos últimos cinco anos, num sinal de reconhecimento da maturidade e da capacidade da companhia de sustentar projetos de longo prazo em um setor que já foi o “patinho feio” da infraestrutura no Brasil. Os resultados da agenda ambiental acompanham esse movimento: 99% da energia elétrica consumida pela Aegea vem de fontes renováveis. Casseb ressalta que os indicadores da companhia apontam que governança, responsabilidade financeira e ESG não são camadas paralelas à operação, mas parte da estrutura que permite à empresa entregar e crescer com previsibilidade e consistência. Aegea: saneamento em escala nacional — Foto: Arte/Glab