O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou, neste domingo, que o primeiro-ministro faria "um grande serviço ao país" se anunciasse a retirada do pacote laboral no debate quinzenal de quarta-feira, véspera da discussão sobre a proposta do Governo."[Na próxima quarta-feira] vai haver debate com o Governo, eu julgo que o primeiro-ministro abre, inclusive, o debate e, portanto, devia anunciar em primeira mão que vai retirar o pacote laboral e poupar o país a isto", desafiou Paulo Raimundo, em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião do partido com micro, pequenos e médios empresários, em Lisboa.Na óptica de Paulo Raimundo, o social-democrata Luís Montenegro faria "um grande serviço" ao país se avançasse com este anúncio, argumentando que "os únicos que defendem hoje o pacote laboral são o senhor primeiro-ministro, os membros do Governo, os senhores da Iniciativa Liberal e do CDS-PP, e o Chega – envergonhado, mas defende –, e depois são as confederações patronais".Sobre o facto de a mais recente reunião entre Luís Montenegro e o líder do Chega ter chegado ao final sem um entendimento sobre a reforma laboral, o que pode significar o seu chumbo logo na generalidade, Paulo Raimundo começou por duvidar da credibilidade da posição do partido de André Ventura. Se o Chega for coerente com as declarações até ao momento, continuou, e votar contra, "o pacote laboral está chumbado".Contudo, o secretário-geral do PCP lembrou que na mesma reunião Montenegro e Ventura chegaram a acordo para que a proposta do Governo de criar uma Prestação Social Única (PSU) passasse à fase de especialidade sem votação.