Evento é considerado até hoje como um dos mais intreigantes e bem documentos do gênero no Brasil 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Relato oficial. O piloto Kleber Marinho na entrevista coletiva dos aviadores da FAB, logo após os avistamentos: o objeto apareceu no radar do seu caça F-5 — Foto: Gustavo Miranda /23-5-1986 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/06/2026 - 19:01 "A Noite Oficial dos Óvnis: O Intrigante Caso de 1986 no Brasil" Em 1986, a Força Aérea Brasileira (FAB) protagonizou um dos eventos ufológicos mais intrigantes do Brasil, conhecido como "A Noite Oficial dos Óvnis". Caças da FAB, incluindo um F-5 pilotado por Kleber Marinho, foram acionados para interceptar 21 objetos não identificados detectados por radares. O evento gerou grande repercussão e permanece um dos casos mais bem documentados do gênero, com relatos de manobras aéreas impressionantes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Parece coisa de cinema, mas aconteceu logo ali, em Santa Cruz. Com a trilha sonora e os cortes certos, daria para imaginar a abertura eletrizante de um filme: terça-feira à noite, o jovem tenente Kleber Caldas Marinho, de 25 anos, está tranquilo em seus aposentos na vila dos oficiais da base da Força Aérea Brasileira (FAB), na Zona Oeste do Rio, quando às 22h27 chega o chamado para uma missão. Àquela hora, ele sabe, não havia possibilidade de ser um treinamento. E não era mesmo. No hangar, o caça F-5, prefixo FAB-4848, está pronto. Foram apenas sete minutos até a decolagem. O piloto só tomou conhecimento dos detalhes da operação quando a aeronave já estava no ar. O objetivo: interceptar objetos voadores não identificados (óvnis) detectados por radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) na altura de São José dos Campos, no Vale do Paraíba paulista. Que Steven Spielberg não nos ouça, mas o nosso “Dia D” — só para não perder a chance de citar um dos filmes mais esperados do ano, que estreou na semana passada — aconteceu longe das telas e há 40 anos, em 19 de maio de 1986. O eco daqueles episódios, porém, reverbera até hoje. Os eventos que se sucederam à decolagem do F-5 da base de Santa Cruz, e que incluíram momentos de tensão, com caças brasileiros prontos para abrir fogo contra os alvos se necessário, entraram para a história como a “Noite Oficial dos Óvnis” e são considerados até hoje como um dos casos mais impressionantes e bem documentados do gênero. A noite dos OVNIs Levou 15 minutos para que o avião pilotado pelo carioca Kleber Marinho chegasse à região onde os óvnis foram avistados. Foi o primeiro dos cinco caças da FAB que participaram da missão naquela noite a decolar e a se aproximar dos alvos. Além dos registros atípicos captados pelos radares, houve muitos relatos — inclusive de controladores de voo posicionados em torres de comando — do avistamento de luzes capazes de manobras incompatíveis com aeronaves conhecidas à época. Contato visual Ao todo, 21 objetos foram mapeados. Em permanente diálogo com operadores em terra, Kleber chegou relativamente perto de um deles, mas o contato não foi imediato. Após uma varredura nas imediações de São José dos Campos, o F-5 foi redirecionado para o litoral. Falando ao GLOBO por telefone, o comandante Kleber Marinho, hoje com 65 anos, lembrou detalhes da missão. Relatório da Aeronáutica — Foto: Editoria de Arte — Quando já estava sobre a região do litoral, em uma área de escuridão bastante profunda, olhando para a minha direita, vi uma luz muito forte, que destoava de todo o contexto. A impressão que eu tinha é que se deslocava da direita para a esquerda como se tivesse quase em ângulo de interceptação da minha aeronave — explica o piloto. — Perguntei ao Cindacta se havia algum avião comercial naquele corredor. A resposta foi negativa. Então informei que tinha um contato visual. Nesse momento, o Cindacta informou que também tinha aquele alvo no radar e que, então, a partir dali, era “rojão” para eu me dirigir até o alvo. No jargão da FAB, “rojão” quer dizer que a aeronave está em modo de combate, ou seja, pronta para utilizar todos os armamentos disponíveis a bordo. Se for hostilizado, o piloto tem autonomia para revidar; caso contrário, o eventual emprego de metralhadoras e mísseis só acontece quando expressamente autorizado. — Após o comando de “rojão”, curvei para a direção do alvo, comecei a descer um pouco mais com o meu avião, abri a pós-combustão e entrei no modo supersônico. Nesse momento, liguei o meu radar (a orientação inicial era mantê-lo desligado) e na primeira varredura ele já pegou um alvo sólido na minha frente. Quando o radar varreu a segunda vez, confirmou aquele alvo — diz. O objeto logo sumiu do raio de visão. Bastou um ajuste no radar do caça, no entanto, para que ele voltasse a ser detectado, desta vez mais acima: — Não me recordo se eu cheguei a 8 milhas ou 6 milhas (de 9,6km a 12,8km) de distância, mas o fato é que eu, já supersônico, não conseguia chegar mais perto dele. Minha velocidade já não conseguia uma aproximação maior do que aquela. Mas a segunda detecção no radar me confirmou uma coisa que eu precisava: eu tinha realmente um alvo sólido na minha frente e ele possuía um movimento regular. ‘Não tem explicação’ A perseguição durou pouco. A velocidade supersônica triplica o consumo de combustível. — Eu vi que não estava me aproximando mais, reduzi um pouco o motor e segui ele até pouco mais de 30 mil pés (cerca de 9 mil metros) já visualizando o alvo com mais dificuldade e sem o contato no radar. O combustível estava perto do mínimo para voltar à base, então fiz o meu regresso a Santa Cruz. E essa foi a história do Jambock 17 nessa noite dos óvnis — completa o comandante, fazendo referência ao código de chamada das aeronaves que pertencem ao 1º Grupo de Aviação de Caça da FAB. A missão histórica durou 1h03. Kleber Marinho deixou a FAB ainda nos anos 1980 e construiu uma bem-sucedida carreira na aviação comercial. Aposentado desde o ano passado, diz que jamais voltou a avistar algo parecido: Mistério. Kleber, no ano passado, na cabine de comando de um airbus A-350: sem explicação para o que viu 40 anos atrás — Foto: Arquivo Pessoal — Hoje o céu está muito povoado por satélites e outros fenômenos que muitas vezes são confundidos com objetos incomuns. Quem não está habituado pode interpretar de forma equivocada. Vemos satélites, estrelas cadentes, fenômenos atmosféricos... Coisas que têm explicação. Mas aquilo que vi não tem explicação. Apresentava movimento regular, possuía luz própria e se deslocava de forma consistente. Isso me leva a acreditar que havia algo inteligente operando aquele objeto. Relatórios e áudios A repercussão daquela noite foi enorme. A notícia se espalhou rápido e levou a FAB a convocar entrevista coletiva sobre o assunto dias depois. O engenheiro aeronáutico Ozires Silva voltava de reunião com o presidente José Sarney em Brasília — na qual foi convidado a assumir o comando da Petrobras — pilotando seu Xingu da Embraer, quando testemunhou o fenômeno e também falou sobre o assunto: “Vi um corpo bastante mais alongado, talvez da cor de uma lâmpada fluorescente, e circulei várias vezes o meu avião, olhando para baixo e, sinceramente, não sei dizer o que era efetivamente”, disse à época. O fato de ter sido testemunhado diretamente por pilotos da Força Aérea e controladores de tráfego agregou ao episódio o adjetivo “oficial” com o qual ficou conhecido. Muitos anos depois, os documentos a respeito foram disponibilizados pela FAB — juntamente com outros casos — no Arquivo Nacional e podem ser consultados por todos. Neles, relatórios detalhados e áudios (alguns trechos podem ser ouvidos no site do GLOBO) com diálogos dos controladores e dos pilotos durante a série de avistamentos. Pelos registros, ficamos sabendo que o primeiro alerta foi emitido às 20h15 pelo Centro de Controle de Brasília após receber comunicação de São José dos Campos sobre “luzes se deslocando sobre a cidade (...) com predominância de cor vermelha, apresentaram mudanças para o amarelo, verde e alaranjado”. O último registro ocorre à 0h30, já no dia 20 de maio, com o pouso, na Base Aérea de Anápolis (GO), do último dos cinco caças que foram deslocados para interceptar os alvos. A FAB possui registros de relatos sobre óvnis desde a década de 1950. Em um documento aparecem 662 casos. Observando os dados ano a ano, é curioso notar picos de avistamentos entre 1977 e 1978, justamente os anos de lançamento do primeiro filme da saga “Guerra nas Estrelas”, nos EUA e depois no Brasil. Foram 148 (22,3%) casos ao todo, recorde da série histórica. A conferir se a tendência se repetirá em 2026 com o “Dia D” de Spielberg.
‘A Noite Oficial dos Óvnis’: há 40 anos, caças da FAB perseguiram e se prepararam para atacar discos voadores
Evento é considerado até hoje como um dos mais intreigantes e bem documentos do gênero no Brasil







