A derrota da África do Sul na partida de estreia da Copa do Mundo é mais um sinal de como a política domina os ânimos desta edição do torneio mundial. Tradicionalmente unidos em torno da maioria das seleções continentais, africanos de diversos países comemoraram escancaradamente o tropeço de 2 a 0 dos Bafana Bafana para o México na quinta-feira (11).
Antes mesmo de a bola rolar na abertura, o TikTok e outras redes sociais estavam repletos de vídeos de nigerianos, ganenes, angolanos e influenciadores de outras nacionalidades vestindo a camisa da seleção latina, usando "sombreros" enormes e dançando mariachi.
Alguns adotavam nomes espanhóis, alteravam suas fotos de perfis para as cores do México e pediam palpites sobre o placar contra o time sul-africano. Um mapa do continente pintado com as cores mexicanas —com exceção da porção territorial sul-africana— viralizou, com legendas que repetiam "África unida".
A mobilização passa longe de uma mera rivalidade esportiva regional e quer chamar atenção para a escalada de violência contra migrantes na África do Sul, cujos alvos principais têm sido estrangeiros africanos de regiões vizinhas e que atingiu o ápice neste mês de junho.
"Apoiar o México é dizer não para a xenofobia", resume uma das postagens. Outros são mais irônicos. "Se apoiamos a África do Sul, vão dizer que roubamos os empregos deles", fazendo referência a uma das bandeiras dos movimentos











