Ana Clara, 18, diz se lembrar bem de um dia em que encontrou seu professor de matemática no corredor do Hospital do Graacc, onde ela já passou por 30 cirurgias, uma série de internações e incontáveis sessões de quimioterapia desde os 6 anos, quando foi diagnosticada com um tumor no cérebro.
Estava, à ocasião, no 3º ano do ensino fundamental, e falou ao professor sobre uma dificuldade que tinha com a multiplicação. Na mesma hora, entre uma consulta e uma aplicação de medicamentos quimioterápicos, teve uma aula e entendeu como resolver contas de multiplicar com dois dígitos.
Ana Clara Martinez Blecha participa neste sábado da formatura do ensino médio de pacientes do Graacc, referência no tratamento de câncer infantojuvenil, localizado na Vila Clementino, zona sul de São Paulo. Dos oito formandos, ela é aluna com mais tempo de vínculo com a Escola Móvel, projeto que garante a continuidade do estudo durante as internações e o tratamento.
A escola não substitui a matrícula nas instituições regulares, mas realiza um trabalho paralelo, dando sequência ao aprendizado quando o aluno está no hospital.
Os professores são formados em atendimento escolar hospitalar e adaptam os materiais didáticos e as aulas para cada paciente. Desde 2000, quando foi fundada, a iniciativa já atendeu mais de 6.000 crianças e adolescentes.











