A obra de Ubirajara Fidalgo, dramaturgo que realizou um trabalho pioneiro no teatro negro brasileiro, está prestes a ficar acessível ao público pela primeira vez na história. A Pallas planeja publicar a obra completa do autor a partir de setembro.
Maranhense radicado no Rio de Janeiro, Fidalgo idealizou o Teatro Profissional do Negro, o Tepron, voltado a encenar textos brasileiros e contemporâneos, estimulando dramaturgias que pensassem questões raciais candentes e específicas ao país —em proposta bem distinta, por exemplo, do que fazia o Teatro Experimental do Negro de Abdias do Nascimento.
Fidalgo mesmo escreveu em torno de 15 peças, quase todas montadas pelo grupo entre os anos 1970 e 1980. Morreu jovem, aos 37 anos, de complicações de um transplante renal, em 1986.
Estava no auge da carreira, mas sua obra passou a ficar restrita a acadêmicos e estudiosos da militância negra, cenário que deve mudar com a publicação inédita de seu trabalho. Hoje, quem cuida do espólio é sua filha, a cineasta Sabrina Fidalgo, que classifica as novas edições como "um acontecimento". "É a primeira vez no que vai haver no Brasil a publicação completa de um dramaturgo negro."
A partir de textos estabelecidos desde que o arquivo do autor passou a integrar o acervo do Instituto Moreira Salles, a Pallas vai lançar cinco peças de Fidalgo já em setembro: "Desfuga", "A Boneca da Lapa", "Buscando o Infinito", "Tuti" e "Bamba’s Son"—sua derradeira, nunca montada. Virá bem a tempo da celebração do dramaturgo na Festa Literária das Periferias, no Rio de Janeiro.







