Na sua apresentação oficial como novo treinador do Benfica, nesta sexta-feira, no Museu do clube, Marco Silva foi directo como é seu hábito. Não fugiu às questões mais sensíveis, não escondeu o mau momento que os "encarnados" vivem e também não abriu totalmente o jogo em relação às mudanças que vai implementar. Admitiu que a pressão será muita, face aos anos sem vencer o campeonato que os benfiquistas já levam, mas que essa pressão é "um privilégio"."Estar, neste momento, no Benfica não me traz maior ou menor pressão. Traz-me responsabilidade. Essa pressão é um privilégio", afirmou Marco Silva na conferência de imprensa de apresentação. O novo técnico das "águias" admitiu mesmo que assumir o comando técnico dos "encarnados" é o maior desafio da sua carreira até agora: "É o maior desafio da minha carreira pelo momento que o Benfica atravessa e pelo momento da minha carreira."Marco Silva reconheceu que, apesar de já ter tido hipóteses de voltar a Portugal para treinar, não estava nos seus planos fazer esse caminho. O novo técnico dos benfiquistas confessou mesmo que há alguns meses atrás essa possibilidade não estava na sua cabeça. Mas confessou que após receber um telefonema de Rui Costa, admitiu, de imediato, que estaria disponível para vir treinar o Benfica. E explicou como decorreu o processo: "A primeira vez que [Rui Costa] comunicou comigo e falámos, perguntou-me se eu estava disposto [a vir treinar o clube]. O Benfica estava à procura de treinador. O convite foi claro e a minha resposta também foi clara."Contudo, Marco Silva reconheceu que foi acima de tudo o aspecto emocional que fez com que a resposta ao convite fosse positiva. "Não vou estar a dizer se foi difícil ou fácil. Estou fora do país há 12 anos. Senti-me bem, custou muito a consolidar o nome. Mas a parte emocional teve um grande peso", declarou.Identidade dominadoraAgradecendo a confiança demonstrada em si, Marco Silva considerou "uma honra e um orgulho enormes" ser treinador dos "encarnados", acrescentando a palavra responsabilidade para o que tem pela frente.O novo homem forte dos benfiquistas não abriu o jogo em relação a futuras contratações, embora tenha admitido que há posições em que o plantel precisa claramente de ser reforçado, dando o exemplo do centro da defesa, numa alusão à saída de Otamendi. Mas não deixou de dizer que tipo de equipa pretende sob o seu comando: "Identidade? Dominadora. Terá de ser o caminho para vencer em Portugal. Ser uma equipa que seja capaz de colar aos adeptos, que haja uma ligação muito forte. Sabemos que o apoio será cada vez maior se a equipa corresponder. Teremos de ter uma forma positiva e dominadora de jogar que na minha opinião representa o Benfica."Marco Silva aceitou, contudo, abordar de forma individual um jogador do plantel: Sudakov. "Contamos com ele. Foi um grande investimento. Basta olhar para as características das minhas equipas. É um jogador do qual conseguimos tirar o melhor. Acredito bastante nele. Teve um ano difícil. Terá todo o nosso apoio e confiança."Quanto a objectivos para a temporada, a conquista do título de campeão nacional foi assumida sem hesitações, mas não apenas essa. A Liga Europa, e o regresso às conquistas europeias, também foi comentada. "O primeiro passo é estar lá. Teremos uma pré-época atípica, mas isso nunca será desculpa. Temos seis jogos para disputar. Estando lá, olhando para a dimensão do Benfica e dos clubes, o Benfica tem de ser um candidato. Não foi necessário ter esta conversa com o presidente. A dimensão [do Benfica] a isso obriga. Temos de ambicionar chegar a Frankfurt", declarou o novo técnico das "águias".Marco Silva assinou por duas temporadas com o Benfica, com mais uma de opção. Esta última ligada à conquista do campeonato português. E o novo treinador dos "encarnados" já interiorizou isso mesmo - "assinei por dois anos com o Benfica, mas o meu objectivo é ficar três anos no Benfica." Resta saber se será assim.