Um académico norte-americano que escreve habitualmente sobre a Birmânia e a política externa chinesa foi detido na China sob suspeita de espionagem, enquanto um homem de negócios radicado em Rangum foi detido ao regressar à Birmânia, depois de ter andado a promover no estrangeiro um livro que escreveu sobre o seu testemunho do golpe militar de 2021.O académico Min Zin, que tem um passado de activismo estudantil na Birmânia, é suspeito de “se envolver em actividades de espionagem que põem em risco a segurança nacional da China”, anunciou esta sexta-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian.Lin Jian também revelou que a China notificou o consulado-geral dos EUA na cidade de Cantão, no Sul da China, sobre esta detenção, noticiou a Reuters.A Associated Press destaca que é raro Pequim prender um cidadão norte-americano sob acusações de pôr em risco a segurança nacional e lembra que o caso surge apenas um mês depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, se ter reunido com o Presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, e precisamente num momento em que os dois países estão a tentar recuperar uma relação que tem passado por muitos momentos tumultuosos desde o regresso de Trump à Casa Branca.A agência noticiosa dá conta de que um activista birmanês que conhece Min Zin revelou que este desapareceu a 3 de Junho, depois de ter viajado para Kunming, na província chinesa de Yunnan, para participar numa conferência. Este activista, que falou sob anonimato por temer represálias e prisão, afirmou que Min Zin já tinha visitado a China várias vezes antes.O académico, que fundou o think tank especializado na Birmânia Institute for Strategy and Policy (ISP), foi detido mal aterrou em Kunming, segundo disseram à Reuters três pessoas com conhecimento do assunto.Min Zin foi um activista estudantil na revolta de 1988 na Birmânia, um movimento liderado por estudantes ao qual o Governo da época respondeu com força militar. O estudante acabou por pedir asilo nos EUA e estudou Ciência Política na Universidade da Califórnia, Berkeley.Aparentemente, não estava actualmente envolvido em qualquer trabalho de activismo directo. O ISP, que estava inicialmente baseado na Birmânia, mudou-se para o estrangeiro após o golpe de 2021, quando os militares destituíram o Governo democraticamente eleito da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, impondo um regime brutal que tem o suporte de Pequim.De acordo com o Washington Post, o centro era agora dirigido a partir da cidade tailandesa de Chiang Mai.As publicações recentes deste centro de estudos centraram-se na transição política na Birmânia, após o chefe da junta militar, Min Aung Hlaing, ter assumido a Presidência do país na sequência de uma eleição manipulada pelos militares, bem como em temas económicos, incluindo as exportações de terras raras para a China.A detenção de Min Zin foi confirmada um dia depois de ser conhecida a prisão de um outro norte-americano na Birmânia. Trata-se do empresário Adam Castillo, que dirigia uma consultora de segurança no país.Castillo, um antigo presidente da Câmara de Comércio Americana em Myanmar, estava radicado em Rangum e foi interceptado num aeroporto da Birmânia à sua chegada ao país, noticia o Independent.O norte-americano, que escreveu um livro sobre a sua experiência de viver o golpe militar na Birmânia, também era um consultor da Administração Trump sobre a sua política para o país asiático.Terá defendido que os Estados Unidos assumissem o papel de mediador de paz na guerra civil da Birmânia, com o objectivo de aumentar o acesso norte-americano aos depósitos de minerais e terras raras da região, o que colocaria os EUA em concorrência directa com a China.
China prende cidadão norte-americano por suspeita de espionagem
O académico de origem birmanesa Min Zin foi detido na China, acusado de espionagem. O empresário Adam Castillo, que escreveu um livro sobre o golpe militar, foi detido na Birmânia.










