Sam Bankman-Fried perdeu, nesta sexta-feira (12), a tentativa de anular sua condenação por fraude e a sentença de 25 anos de prisão pelo colapso da FTX, corretora de criptomoedas que fundou. Em decisão unânime, um painel de três juízes do 2º Tribunal de Apelações do Circuito dos Estados Unidos, com sede em Manhattan, afirmou que as provas apresentadas pela acusação contra Bankman-Fried eram, “para dizer o mínimo, robustas”. “Enquanto tranquilizava publicamente clientes, investidores e reguladores de que os recursos dos clientes da FTX estavam seguros, ele usava simultaneamente a FTX como seu próprio cofrinho, gastando fundos de clientes em imóveis, contribuições políticas e investimentos”, escreveu o juiz Barrington Parker, em nome do painel. Procurados, os advogados de Bankman-Fried ainda não haviam respondido à Reuters. A defesa ainda pode pedir que todos os juízes em atividade do 2º Circuito analisem o caso ou recorrer à Suprema Corte dos Estados Unidos. Bankman-Fried também busca um perdão presidencial de Donald Trump, segundo o Escritório do Procurador de Perdões do Departamento de Justiça. A Casa Branca e o Departamento de Justiça também não responderam de imediato aos pedidos de comentário. ‘Fraude de proporções épicas’ Bankman-Fried, que foi uma das figuras mais influentes do setor de criptomoedas e multibilionário antes do colapso espetacular da FTX em 2022, foi considerado culpado de sete acusações criminais por um júri federal em Manhattan em 2023. Promotores do gabinete do procurador federal de Manhattan disseram que ele roubou US$ 8 bilhões de clientes da FTX para cobrir prejuízos em seu fundo de hedge focado em cripto, a Alameda Research, em um caso que classificaram como uma “fraude de proporções épicas”. Bankman-Fried havia se declarado inocente de duas acusações de fraude e cinco de conspiração. No julgamento, admitiu ter cometido erros na gestão da FTX, mas afirmou em depoimento que nunca roubou recursos. Liberdade só em 2044 Ao recorrer da condenação, a defesa de Bankman-Fried argumentou que o juiz distrital Lewis Kaplan, responsável pelo julgamento, impediu indevidamente que ele apresentasse provas para sustentar sua convicção de que a FTX tinha recursos suficientes para cobrir os saques dos clientes. O tribunal de apelações discordou, citando precedentes segundo os quais a fraude ocorre no momento em que um réu engana alguém para que entregue dinheiro ou bens, mesmo que pretenda ressarcir integralmente a vítima depois. “Os clientes da FTX foram lesados assim que Bankman-Fried transferiu o dinheiro deles para a Alameda, independentemente de quão convicto ele estivesse de que poderia devolvê-lo depois”, escreveu Parker. Antes do colapso da FTX, Bankman-Fried era uma estrela em ascensão no turbulento setor de criptomoedas e havia consolidado sua reputação com generosas doações filantrópicas e políticas. Na audiência de sentença, em março de 2024, Kaplan disse que Bankman-Fried sabia que suas ações eram erradas, mas “fez uma aposta muito ruim sobre a probabilidade de ser pego”. Três ex-subordinados de Bankman-Fried se declararam culpados por envolvimento no caso e testemunharam contra o antigo chefe durante o julgamento. Bankman-Fried está detido em uma prisão federal de baixa segurança perto de Santa Barbara, na Califórnia. Ele poderá ser libertado em 2044.
Sam Bankman-Fried perde recurso para anular condenação por fraude na FTX
Tribunal dos EUA mantém condenação de ex-bilionário da cripto, sentenciado a 25 anos de prisão pelo colapso da FTX
Bankman-Fried perde recurso; 25 anos por roubo de US$ 8 bilhões em fundos FTX para Alameda. Tribunal reafirma que fraude é desvio de assets cliente, independente de reembolso planejado—crítico para governança fintech e segregação de fundos.










