Durante a corrida do ouro de Klondike, na virada do século 20, garimpeiros descobriram que havia mais do que apenas ouro nas colinas de Yukon, no Canadá. Havia muitos fósseis. Eram montanhas de presas de mamutes-lanosos, além de ossos de dentes-de-sabre e de bisões gigantes extintos.

As faces rochosas congeladas também continham túneis e tocas de esquilos-terrestres pré-históricos, repletas de milhares de pelotas congeladas de cocô antigo. Muitas dessas tocas permaneceram intactas, talvez porque depósitos de fezes de esquilo tenham menos demanda do que crânios de mamute. Mas a tecnologia para analisar DNA fossilizado avançou, permitindo a análise desses excrementos que ficaram no gelo por tanto tempo.

Em um estudo, publicado no dia 9 deste mês na revista Nature Communications, pesquisadores revelaram uma conexão surpreendente entre os roedores e seus vizinhos gigantes. As fezes fossilizadas dos esquilos-terrestres continham DNA de mamutes-lanosos, de dentes-de-sabre e de bisões, sugerindo que os esquilos estavam comendo carne dos animais maiores.

O cocô antigo, e a consequente enxurrada de informações que ele proporcionou, é um exemplo de "preservação incrível, registrando esses ecossistemas ao longo de centenas de milhares de anos", disse o paleogeneticista Tyler Murchie, do Instituto Hakai, na Colúmbia Britânica, autor principal do estudo.