Artista transformou piscinas californianas, paisagens rurais e até desenhos feitos em iPad em obras marcantes da arte contemporânea 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 David Hockney, em foto de 2016 — Foto: Jean-Pierre Gonçalves de Lima / Divulgação Morreu aos 88 anos o artista britânico David Hockney, informou seu agente nesta sexta-feira. Ele era considerado um dos nomes mais importantes e populares da arte contemporânea, com uma trajetória de mais de seis décadas marcada pela experimentação constante e pela recusa em permanecer preso ao passado. Classificando-o como "uma das figuras mais importantes da arte contemporânea, tanto no século XX quanto no XXI", Erica Bolton, responsável pela agência que o representava, informou em comunicado que ele "morreu em paz em sua casa" na quinta-feira, um mês antes de completar 89 anos. Nascido em 1937, em Bradford, no norte da Inglaterra, Hockney ganhou projeção internacional nos anos 1960, após estudar no Royal College of Art, em Londres. Um dos primeiros artistas britânicos de destaque a assumir publicamente sua homossexualidade, construiu uma obra que transitou entre pintura, gravura, fotografia, vídeo e cenografia para óperas. Seu trabalho ficou especialmente associado às imagens da Califórnia, onde passou grande parte da vida. A mudança para Los Angeles ajudou a consolidar sua identidade artística. Encantado pelos espaços abertos, pela arquitetura de linhas retas e pelo clima da Costa Oeste americana, Hockney produziu algumas de suas obras mais conhecidas, retratando piscinas, jardins e cenas do cotidiano californiano. Clássico da arte queer, a cena do mergulho reflexivo inspirou “Retrato de um artista (Piscina com duas figuras)”, de David Hockney e pontua várias cenas de “Dueto dos ausentes” — Foto: Reprodução A representação da água em movimento tornou-se uma de suas obsessões artísticas. Ao mesmo tempo, seus retratos e retratos duplos revelavam um interesse constante pelas relações humanas, retratadas com aparente simplicidade. Em 2017, às vésperas de completar 80 anos, Hockney foi tema da mais abrangente retrospectiva de sua carreira até então, organizada pela Tate Britain, em Londres. A exposição reuniu cerca de 250 obras produzidas desde os anos 1960, incluindo pinturas, gravuras, fotografias, vídeos e desenhos realizados em iPad. A mostra, que bateu recorde de venda antecipada de ingressos, percorreu diferentes fases de sua trajetória, desde os experimentos iniciais com o abstracionismo até as criações digitais mais recentes. Na época, os curadores destacaram a disposição do artista em continuar explorando novas linguagens. Califórnia, do artista britânico David Hockney — Foto: BEN STANSALL / AFP Apesar do sucesso da retrospectiva, Hockney deixava claro que não tinha interesse em cultivar a nostalgia. Da Inglaterra à Califórnia Filho de uma família operária de Yorkshire, Hockney passou a vida retratando diferentes culturas e ambientes. A mudança para Los Angeles ajudou a consolidar sua identidade artística. Com cabelos loiros, óculos de armação grossa e um estilo inconfundível, tornou-se uma figura emblemática da cena cultural da Costa Oeste americana. Apaixonado pelas linhas retas da arquitetura moderna e pelo clima ensolarado da Califórnia, retratou corpos à beira da piscina, interiores domésticos e amigos próximos. Entre os personagens que pintou estavam seus pais e figuras importantes da vida cultural americana, como o escritor Christopher Isherwood e seu companheiro, Don Bachardy. Nos anos 1980, voltou sua atenção para a fotografia, criando composições formadas por dezenas de imagens feitas com câmeras Polaroid. Mais tarde, dedicou-se a grandes paisagens inspiradas em Yorkshire, celebrando as mudanças das estações do ano. Mesmo enfrentando problemas de saúde, como a perda progressiva da audição, manteve uma intensa rotina de trabalho, abraçou novas tecnologias e passou a produzir desenhos em tablets e smartphones, incorporando novas tecnologias à sua produção artística.
Morre o pintor britânico David Hockney, aos 88 anos
Artista transformou piscinas californianas, paisagens rurais e até desenhos feitos em iPad em obras marcantes da arte contemporânea










