Os Estados Unidos usarão parte do investimento de US$ 550 bilhões prometido pelo Japão para construir e expandir usinas nucleares, visando assumir "uma posição de liderança na exportação global", declarou o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, ao “Nikkei Asia”. Lutnick e o ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Ryosei Akazawa, conversaram neste mês com o objetivo de chegar a um acordo para que o Japão invista até US$ 40 bilhões em pequenos reatores modulares (SMRs) construídos pela GE Vernova e Hitachi. Segundo autoridades japonesas, um investimento de US$ 25 bilhões na NuScale Power, uma empresa americana de projeto de SMRs, também está sendo considerado. O investimento japonês em projetos de energia nuclear nos Estados Unidos pode ultrapassar 10 trilhões de ienes (US$ 62,3 bilhões). O primeiro projeto nuclear deverá ser no Tennessee, enquanto o governo Trump já iniciou os procedimentos de aprovação para os SMRs. "Com o crescimento da indústria manufatureira, incluindo semicondutores, os Estados Unidos precisam de energia, e por isso estamos firmando uma parceria com os japoneses por meio do nosso Fundo de Investimento Japonês na América para construir usinas nucleares", disse Lutnick. "Isso será muito importante para os Estados Unidos e para o nosso relacionamento com o Japão." A construção de usinas nucleares nos Estados Unidos está estagnada desde o derretimento parcial do núcleo na usina de Three Mile Island, na Pensilvânia, em 1979. O reator Vogtle Unidade 3, na Geórgia, construído pela empresa americana Westinghouse Electric, tornou-se o primeiro reator comercial em operação em 34 anos, quando entrou em funcionamento em 2023. Existem mais de 90 reatores no país, número bem menor do que o pico de 112 em 1990. O governo do presidente americano Donald Trump agora busca utilizar investimentos japoneses para expandir significativamente a energia nuclear. Começando com os SMRs planejados em conjunto desta vez, o objetivo é aumentar a capacidade de geração de energia nuclear de 100 gigawatts para 400 GW até 2050. Também está previsto adicionar mais 10 grandes reatores até 2030, incluindo o reator AP1000 da Westinghouse. A demanda por eletricidade está crescendo rapidamente nos Estados Unidos devido à disseminação da inteligência artificial. O consumo de energia dos data centers triplicou nos últimos dez anos e espera-se que dobre ou triplique novamente nos próximos cinco anos. O fornecimento de energia do país pode ficar 20% abaixo da demanda, criando um gargalo na corrida da inteligência artificial com a China. Embora cerca de 20 países estejam desenvolvendo planos para SMRs, apenas alguns — incluindo China e Canadá — têm projetos em construção com o objetivo de implantação comercial. "O futuro da energia nuclear, e em particular dos SMRs, é uma enorme oportunidade para construir toda a cadeia de suprimentos na América em grande escala e, em seguida, exportar essa tecnologia para o mundo todo", disse Lutnick. O Japão expressou preocupação com a responsabilidade em caso de acidente em uma instalação nuclear. Um alto funcionário americano que lidera as negociações sobre energia nuclear disse ao “Nikkei Asia” que o Japão não será responsabilizado. "Esses serão reatores americanos, ativos americanos", disse o funcionário. "Eles não envolverão o Japão de forma alguma." Antes de assinar qualquer acordo oficial, "estamos apenas revisando os detalhes para garantir que o lado japonês esteja confortável", acrescentou o funcionário. Os SMRs têm uma potência elétrica menor, inferior a 300 mil quilowatts por unidade, em comparação com a potência de 1 milhão de kW dos grandes reatores, mas têm a vantagem de serem produzidos em massa em fábricas e podem ser instalados próximos a data centers. Um grande obstáculo tem sido o custo de construção de uma unidade inicial antes da produção em massa. Gigantes da tecnologia, incluindo a Amazon, também planejam investir no setor, com algumas previsões sugerindo que mais de 300 SMRs poderão ser implantados nos Estados Unidos até 2050. Enquanto isso, as regulamentações nucleares do Japão não são adequadas para SMRs, e o país está ficando para trás em relação aos Estados Unidos e à China na corrida pela liderança do setor. A alta dos preços da energia está impulsionando uma mudança de volta para a energia nuclear na Europa e em outros lugares. Globalmente, cerca de 90% dos reatores de grande escala que começaram a ser construídos na última década são de projeto chinês ou russo. Negociadores japoneses afirmam que o Japão e os Estados Unidos precisarão recuperar terreno em termos de talentos e tecnologia por meio de investimentos conjuntos. "Por meio do investimento nos Estados Unidos, o Japão se beneficia acumulando tecnologia de SMRs e também verá benefícios de investimento em áreas como exportações de componentes", disse uma fonte diplomática japonesa. O Japão não constrói novas usinas nucleares desde 2009. O compromisso de investimento de US$ 550 bilhões foi acordado entre o Japão e os Estados Unidos em julho de 2025, como parte das negociações tarifárias. A primeira rodada de projetos aprovados incluiu usinas termelétricas a gás. Espera-se que o investimento em SMRs seja incluído na segunda e terceira rodadas de projetos. 11/06/2026 22:03:38
EUA consideram financiamento japonês para revitalização da energia nuclear, diz Lutnick
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