Ex-ministro da Educação diz que pauta da segurança não pode servir para fazer "politicagem" 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro da Educação, Camilo Santana — Foto: Brenno Carvalho RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 21:31 Camilo Santana diverge de Lula sobre classificação de facções criminosas O ex-ministro da Educação, Camilo Santana, diverge do governo Lula ao defender a classificação de facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Criticando a "politicagem" na segurança, Camilo aponta a colaboração internacional como crucial no combate ao crime organizado. Lula, por sua vez, critica a decisão dos EUA, enfatizando a soberania brasileira e a necessidade de cooperação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE) adotou um discurso distinto ao do governo federal e afirmou ser favorável a classificação de facções criminosas como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A declaração foi dado ao Metrópoles e confirmada pelo GLOBO. "O PCC e o Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro. O que houver de pior para classificar esse pessoal, tem que classificar", disse Camilo ao portal. Ao Metrópoles, o ex-ministro afirmou já ter dito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ele fez um discurso equivocado ao se manifestar contra a decisão do governo dos EUA. Camilo afirma ainda que o governo americano pode colaborar no combate ao crime organizado. "Não podemos usar esse tema da segurança para fazer politicagem, como é feito lá no Ceará todos os dias pelo nosso adversário", disse ainda Camilo. Criticada pelo governo federal, a classificação é apoiada por nomes da direita, entre eles o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro. Dias antes da decisão ser anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o presidente americano Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. Após o encontro, Flávio afirmou ter solicitado a Trump que a classificação fosse feita. Após o anúncio, Lula fez críticas à decisão das autoridades americanas, que tratou como uma ameaça à soberania nacional. Em uma nota divulgada no dia 29 de maio, o governo federal afirmou que as facções cometem "terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias", mas acrescentou que o combate a elas é uma prerrogativa do Estado brasileiro. Segundo o presidente, CV e PCC não se enquandram no conceito de terrorismo usado pelos EUA para tratar grupos extremistas internacionais. Ele defende a cooperação no combate ao crime organizado. — Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos — disse Lula, ao citar o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, e o empresário Ricardo Magro. — Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fossemos uma republiqueta. O estado do Ceará sofre com conflitos envolvendo facções, como o CV e o PCC, além de outras como o Terceiro Comando Puro. Divulgada em maio, a última edição do Atlas da Violência, levantamento de dados de mortes violentas feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostrou que o estado teve 4 das 5 cidades com maiores índices de homicídios em 2024. Em um discurso no plenário do Senado nesta terça-feira, Camilo Santana elogiou a atuação do governo federal no campo da segurança pública e pediu para que o presidente da Casa, o senador Davi Alcolumbre, coloque a PEC da Segurança em votação. — O Brasil sempre estará aberto à cooperação internacional no combate ao crime organizado: a cooperação entre as polícias, compartilhamento de inteligência, parcerias contra o tráfico internacional. Com diálogo e responsabilidade, nós atravessaremos esse momento com as ferramentas de uma democracia sólida — disse Camilo no plenário.