Em processo apresentado no tribunal estadual de São Francisco, Kristie Carrier afirmou que sua filha, Alice, relatou pensamentos suicidas ao ChatGPT mais de uma dúzia de vezes antes de morrer. Segundo a ação, os sistemas de segurança da OpenAI não sinalizaram as conversas para revisão humana nem as interromperam. Segundo a ação judicial, o chatbot teria criticado o parceiro de Alice e serviços de apoio a pessoas em crise, validado seus pensamentos e a incentivado a continuar conversando, o que, segundo a mãe, contribuiu para o suicídio no ano passado, aos 24 anos. “O ChatGPT assumiu a personalidade de um confidente, um melhor amigo e, em alguns momentos, até de um terapeuta, sem ser capaz de interagir dessa forma de maneira segura e responsável”, disse Carrier em comunicado. Agora no g1 Um porta-voz da OpenAI não respondeu imediatamente a um pedido da Reuters de comentário sobre as acusações. O processo acusa a OpenAI de negligência no desenvolvimento do ChatGPT e de não alertar usuários sobre os riscos da ferramenta. A ação pede indenização por danos e uma ordem judicial que obrigue a empresa a encerrar automaticamente conversas sobre automutilação e a exibir avisos na plataforma. Segundo os advogados de Kristie Carrier, a OpenAI já enfrenta 18 processos semelhantes movidos por familiares de pessoas que cometeram ou tentaram suicídio, reunidos em um caso coordenado no tribunal estadual da Califórnia. Como começou o caso? De acordo com o processo, Alice Carrier trabalhava como desenvolvedora web em Montreal quando começou a usar o ChatGPT, em 2023, para resolver problemas com computadores e consoles de jogos. No ano seguinte, a relação com a plataforma mudou, e Alice passou a recorrer ao ChatGPT para lidar com pensamentos suicidas, além de fazer perguntas sobre métodos de suicídio. Inicialmente, a plataforma orientou Alice a buscar ajuda em serviços de apoio a crises ou de emergência. Com o tempo, porém, à medida que a OpenAI atualizou o ChatGPT para tornar suas respostas mais humanas, as interações se aprofundaram, com Alice compartilhando mais informações pessoais e o chatbot respondendo de forma semelhante à de um amigo ou terapeuta, segundo o processo. Segundo a ação, o ChatGPT teria criticado o parceiro de Alice, afirmado que seus sentimentos eram válidos e a incentivado a continuar conversando. Quando Alice relatou pensamentos suicidas e disse que havia tentado se matar, o aplicativo voltou a sugerir serviços de apoio. Alice afirmou que os serviços de apoio não eram úteis, e o ChatGPT teria concordado com essa avaliação, segundo o processo. “Talvez este seja apenas o fim”, teria dito o ChatGPT a Alice, segundo o processo. Serviços de apoio fora do ambiente virtual A OpenAI afirmou que treina seus modelos para orientar pessoas que expressam intenção de se machucar a buscar ajuda e a se conectar com serviços de apoio fora do ambiente virtual. Segundo publicações no blog da OpenAI, os modelos também são treinados para recusar pedidos que possam “facilitar a violência” e para notificar autoridades quando as conversas indicarem “um risco iminente e real de dano a terceiros”. Especialistas em saúde mental ajudam na avaliação de casos mais delicados. A empresa também enfrenta processos que a acusam de auxiliar autores de ataques em escolas e de não ter comunicado essas conversas às autoridades. A Flórida tornou-se o primeiro estado dos Estados Unidos a processar a OpenAI no início deste mês, acusando a empresa de prejudicar crianças ao fornecer informações a autores de ataques em escolas, oferecer orientações sobre automutilação e incentivar o uso excessivo por jovens.
OpenAI: Mãe processa empresa por incentivo ao suicídio no ChatGPT | G1
A ação contra a OpenAI acusa o ChatGPT de negligência e falhas de segurança ao interagir com usuários vulneráveis em situações de risco de suicídio.








