A Crown, emissora do BRLV, criptoativo lastreado em reais, lançou um serviço próprio para conversão entre real, dólar e ativos digitais. Batizada de FX Desk, a operação já está disponível na plataforma da companhia e permite conversões com liquidação instantânea e limite de até US$ 100 mil por transação, segundo material divulgado pela empresa. O produto chega em um momento em que o Banco Central avança na regulamentação das prestadoras de serviços de ativos virtuais, inclusive em operações relacionadas ao mercado de câmbio. Questionada sobre o enquadramento da FX Desk, a Crown afirmou que a operação não é eFX, modalidade de pagamento ou transferência internacional, mas prestação de serviço de ativos virtuais, nos termos da Resolução BCB nº 521, de novembro de 2025. Com a nova ferramenta, a companhia tenta ampliar o uso do BRLV em operações de câmbio e pagamentos internacionais. O ativo soma R$ 373 milhões emitidos, de acordo com a Crown, que afirma que a plataforma também informa as taxas antes do fechamento da operação e gera registros individualizados das transações. Para John Delaney, fundador e CEO da empresa, a demanda por esse tipo de solução está ligada, entre outros fatores, à busca por alternativas para transferências internacionais. “O Pix funciona superbem para transferências domésticas, mas para o internacional não conecta. A gente precisa de uma solução mais escalável e rápida para transferências internacionais”, diz Delaney. A Crown afirma que cada BRLV é lastreado integralmente em reais aplicados em títulos públicos brasileiros. Segundo Delaney, as reservas ficam em uma estrutura separada da empresa operacional, criada para manter os recursos fora do balanço da companhia e vinculados aos detentores do ativo por meio de mecanismos de garantia. Um dos pontos destacados pela companhia é a geração de registros por operação. Delaney afirma que a plataforma foi desenhada para aproximar a dinâmica do mercado cripto, mais automatizada, das exigências operacionais e informacionais aplicáveis a esse tipo de transação. “Esse foco nos registros individualizados nas transações de câmbio, para mim, é o grande tema”, afirma. A Crown projeta que parte dos reais em circulação poderá migrar para estruturas tokenizadas na próxima década. A estimativa, feita pela própria empresa, é que 8% da base monetária brasileira, cerca de R$ 1 trilhão, possa estar em blockchain no período.“De forma macro, a gente tem muita convicção de que uma parte grande dos reais em circulação vai ser na forma de stablecoin”, afirma Delaney. “É a forma que capacita essa migração de infraestrutura para o mundo on-chain.”
Crown, emissora de stablecoin em real, lança serviço de câmbio com dólar
Operação permite conversões de até US$ 100 mil e gera registros individualizados das transações, segundo a empresa
Crown lançou FX Desk, serviço de conversão real-dólar com liquidação instantânea. A previsão da empresa é de 8% da base monetária brasileira (R$ 1 trilhão) tokenizada em blockchain na próxima década, marcando a migração esperada para stablecoin e infraestrutura on-chain.








