Em meio à escalada do conflito com os Estados Unidos, o Irã ameaçou atingir empresas ligadas ao bilionário Elon Musk no Oriente Médio, incluindo a rede de internet via satélite Starlink. A advertência foi divulgada nesta quinta-feira (11) pela agência estatal semioficial Fars, que citou uma fonte informada segundo a qual Teerã considera que empresas associadas a Musk apoiaram ações americanas contra a República Islâmica. Musk atuou como chefe e conselheiro especial do Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) durante os primeiros meses do segundo mandato de Donald Trump à frente da Casa Branca. Ele deixou o cargo após sucessivos desentendimentos públicos com o republicano. Segundo informações da Fars, o Irã passará a tratar como alvos militares “todos os interesses relacionados a ativos econômicos administrados por Elon Musk na Ásia Ocidental”, incluindo uma estação terrestre regional do Starlink. A fonte citada afirmou ainda que a República Islâmica se reserva o direito de atacar instalações vinculadas aos negócios do empresário na região e que os Estados Unidos teriam cometido crimes de guerra contra o Irã com o apoio de empresas ligadas ao bilionário. A Guarda Revolucionária iraniana já havia elevado o tom anteriormente contra outras empresas americanas de tecnologia, incluindo Nvidia, Apple, Microsoft e Google. A ameaça surge em meio à intensificação das hostilidades entre Washington e Teerã. Nesta quinta-feira, o presidente Donald Trump voltou a prometer novos bombardeios contra o Irã e afirmou que os Estados Unidos pretendem assumir o controle da Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo e gás do país. A nova onda de hostilidades entre os países teve início após Trump acusar o Irã de derrubar um helicóptero do Exército americano que patrulhava o Estreito de Ormuz na segunda-feira. Os Estados Unidos lançaram ataques de retaliação na terça-feira, provocando uma resposta militar iraniana. Na quarta-feira, Washington realizou novos bombardeios, que foram respondidos por Teerã com ataques contra o Kuwait, Bahrein e Jordânia. Além disso, a Guarda Revolucionária do país persa alegou ter fechado Ormuz para qualquer tipo de embarcação – medida que foi negada pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom). Logotipo da Starlink em um smartphone — Foto: Andrew Kravchenko/Bloomberg