O Governo indicou que foi informado da intenção da administração da Lusa de rever o Acordo de Empresa (AE), mas não esclareceu se teve conhecimento da decisão de denunciar o acordo em vigor.Numa resposta escrita a uma pergunta feita pelo BE, via Parlamento, o gabinete do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, refere que o “Governo estava informado sobre a intenção do Conselho de Administração da Lusa em prosseguir com negociações com representantes dos trabalhadores, com vista à valorização das respectivas condições, e que envolveria também a revisão do Acordo de Empresa”.No entanto, a resposta não esclarece se o Governo tinha conhecimento prévio da intenção da administração da agência de notícias de denunciar o acordo, questão colocada directamente pelo deputado bloquista.O ministério que tem a tutela da comunicação social afirma ainda que a “renegociação do acordo de empresa já tinha sido defendida por sindicatos e comissão de trabalhadores em reunião com o ministro da Presidência”.“O Governo foi informado da posição que entendeu partilhada por Conselho de Administração e representantes de trabalhadores de que a revisão do Acordo de Empresa é necessária para um melhor e mais sustentável futuro das condições de trabalho e da empresa”, lê-se na resposta ao deputado único do BE, Fabian Figueiredo.O executivo cita ainda um comunicado da administração da Lusa, no qual o actual AE é considerado desactualizado, defendendo-se um novo acordo que permita “maior capacidade de atracção de novos talentos, um maior poder de retenção de recursos humanos e sua capacitação e também um maior reconhecimento do mérito profissional”.O gabinete de Leitão Amaro diz ter registado “o entendimento comum de que a renegociação do Acordo de Empresa é também boa para os trabalhadores”, considerando que se trata de uma “oportunidade para aprofundar ainda mais a valorização da sua situação, após o já realizado aumento de 56,68 euros/2,15%”.Além de questionar o Governo sobre se teve conhecimento prévio da decisão da administração da Lusa de denunciar o actual Acordo de Empresa, o BE perguntou também se considerava aceitável que os aumentos salariais fossem condicionados à assinatura de um novo acordo colectivo, que orientações tinham sido dadas pelo Estado enquanto accionista e que garantias existiam de que as negociações decorreriam sem pressão sobre os trabalhadores.Em 28 de Maio, o Conselho de Administração (CA) da Lusa denunciou formalmente o AE, conforme adiantaram os sindicatos, acusando a gestão de querer condicionar as negociações salariais.No mesmo dia, o CA confirmou a apresentação de “um novo AE, que substitua o actual, considerado desactualizado e cuja redacção se iniciou em 2006, tendo entrado em vigor em 2009”, tendo ainda partilhado a informação com a Comissão de Trabalhadores, em outra reunião.
Governo sabia de revisão do acordo da Lusa, mas não responde sobre denúncia
Em resposta ao deputado único do BE, gabinete de Leitão Amaro diz apenas que o “Governo estava informado sobre a intenção” da administração da Lusa “em prosseguir com negociações” e rever acordo.
Lusa rescinde AE de 2009 para renegociar salários e benefícios; propõe novo AE com foco em talent attraction e reconhecimento de mérito. Sinal de talent war: renegociação de AE como leva de governance para competitividade salarial em media.








