Por Anna Luiza Santiago Atriz participou do remake de 'Vale Tudo' e da série 'Beleza Fatal', em 2025 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nanda Marques vive personagem com amor obsessivo em 'Quem Ama Cuida' — Foto: Reprodução/Instagram Nanda Marques encara com humor o apelido “grávida de Taubaté”, dado pelo público à sua personagem em “Quem ama cuida”, novela das 21h. A atriz dá vida a Bruna, jovem que lida com a dependência emocional do namorado, Pedro (Chay Suede), e com as manipulações diárias da mãe, Carmita (Deborah Evelyn). Na trama, ela embarcou em uma mentira para forçar o noivado: uma falsa gravidez. O plano deu errado, e o rapaz terminou o relacionamento. — Não fui convidada para o papel: fiz teste. Passei por um processo seletivo, que é sempre de muita ansiedade. Fazer uma novela é o desejo de qualquer ator, então dá um estado de nervosismo. Sempre quis fazer um personagem que tivesse uma falha de caráter. Meu sonho é fazer uma grande vilã, mas está ótimo começar pela Bruna. Ela não é propriamente uma vilã, mas fica em cima do muro, não escolhe. E, quando a gente não escolhe, a vida acaba escolhendo pela gente. O apelido da personagem, “grávida de Taubaté”, faz referência a um meme antigo e viralizou nas redes sociais. A atriz confessa se divertir com a comparação, porém faz um exercício constante de reflexão sobre a personalidade frágil da jovem: — Adorei esse apelido. Mostra um pouco sobre o caráter dela, que está em construção e ainda é duvidoso. É uma pessoa sem opinião formada, dependente da mãe. Esta relação simbiótica influencia muito quem a Bruna é, porque ela deixa a Carmita mandar na vida dela. O lado bom é que realmente existe amor pelo Pedro, não há interesse financeiro, mas a Bruna é obcecada. O amor passa a ser perigoso e danoso, porque é o único horizonte dela. Bruna não tem planos de carreira, sonhos, hobbies ou um trabalho que vislumbre. É muito triste. Nanda relembra que, no início das gravações, encontrar humanidade nas atitudes questionáveis da personagem exigiu esforço técnico: — É um desafio entender as motivações, saber de onde veio e para onde vai. É preciso ter empatia pelo personagem. Tive um pouco de dificuldade no início porque ela faz coisas muito distantes de mim. Algumas falas eram difíceis de racionalizar e de encontrar verdade, por serem problemáticas. Porém, nas gravações das últimas semanas, encontrei aspectos que ajudam no meu entendimento. Se, em cena, a relação com a mãe é destrutiva, nos bastidores a convivência com Deborah Evelyn é de total acolhimento, o que desmistificou antigos receios de Nanda: — A Deborah é uma atriz muito empática e generosa. Tinha um pouco de receio (de me aproximar), porque a gente ouve histórias de grandes estrelas e tem aquela frase: “não conheça os seus ídolos”. Só que, neste caso, digo o extremo oposto: conheça-os. Acompanho a Deborah desde criança, sempre amei o trabalho dela e as vilãs sem noção que fazia. É muito engraçada, faz todo mundo rir. Além de ser uma baita parceira de cena, ela me ajuda nas minhas angústias. Sou uma pessoa ansiosa. Quando acaba uma cena, conversamos sobre o que estou sentindo. A exposição provocada pela carreira, sobretudo após integrar o elenco da série “Beleza fatal” (HBO Max) e fazer uma participação especial no remake de “Vale tudo” (2025), trouxe reflexões para Nanda sobre o papel de um artista e a velocidade do mundo digital: — Vivemos em um tempo acelerado com as redes sociais. Penso muito em uma frase da Nina Simone sobre querer ser uma artista do tempo. Quero refletir a sociedade em que vivemos a partir do meu trabalho, da minha arte. Também desejo transmitir meus pensamentos. Sendo uma artista deste tempo e vivendo a “Era do Instagram”, entendi que não posso me colocar à parte da sociedade e das redes. A saída encontrada pela atriz para habitar o ambiente virtual sem adoecer foi priorizar a honestidade nos desabafos e abordar um assunto importante para ela: a saúde mental. No início da carreira, Nanda foi diagnosticada com depressão, transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH): — Já que tenho o dever cívico, artístico e humano de me expor, quero que seja da forma mais honesta possível. E vai ser falando sobre o que é real para mim. Posso até fazer posts sobre a maquiagem da Bruna, mas quero falar de coisas que me interessem, não supérfluas, e que não me façam sentir mais do mesmo. Quando acesso minhas camadas, sinto que sou fiel a mim mesma. Sempre que publico algo sobre saúde mental, muita gente se identifica e manda mensagens carinhosas. É uma troca sincera. A atriz destaca uma estratégia para manter o bem-estar emocional: a distância da rede social X (antigo Twitter), onde os usuários costumam expor opiniões e críticas de maneira nem sempre construtiva: — Lido super bem com a exposição porque não tenho X. Às vezes, as pessoas me mandam print das coisas, mas prefiro cuidar da minha saúde mental. Sei que lá existem desde elogios maravilhosos até as piores trevas possíveis. Não vou atrás. Minha saúde mental é cara, e tenho muito zelo. Sei dos meus limites e até onde posso consumir. O que chega até mim são as críticas mais amplas dos veículos de imprensa. A experiência de simular uma gravidez na ficção, viralizada na web e comentada pelos internautas, resgatou reflexões antigas de Nanda Marques sobre as pressões sociais impostas às mulheres desde a infância. Ela reflete sobre o desejo de viver a maternidade: — Desde criança, somos ensinadas a ver a maternidade e o casamento como planos únicos de vida de uma mulher, a única forma de se realizar. É exatamente o que a Bruna aprendeu. Penso sobre isso desde nova. Na maior parte da vida adulta, quando comecei a entender o feminismo, a ler e a me entender como mulher, senti pavor. Constatei que não queria ser mãe de forma alguma, que era algo que enfiaram na minha cabeça. Com o tempo, tive outras perspectivas e conheci outras histórias. É um amadurecimento, uma transformação constante. Não tenho uma resposta definitiva, mas sigo me questionando. Além da carreira, Nanda se tornou notícia nos últimos meses devido ao relacionamento com José Loreto. Os atores se conheceram nos bastidores da cinebiografia de Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr., “Se não eu, quem vai fazer você feliz?”: — Sou muito reservada. Fiquei um pouco receosa com a repercussão no começo, mas agora estou tranquila. Estou filtrando as informações que chegam, tentando não me apegar e não dar um tamanho maior do que as coisas realmente têm. Não é do meu feitio ficar postando sobre o relacionamento. Cada um pesquisa o que quiser: o Google está aí para isso. Hoje, estou bem mais resolvida e tranquila — finaliza ela. Namorados, José Loreto e Nanda Marques foram juntos ao evento de estreia da novela "Quem Ama Cuida" — Foto: Reprodução/Instagram O antes e o depois dos atores de "Quem Ama Cuida" 1 de 8 Letícia Colin escureceu as madeixas para dar vida à Adriana, protagonista de "Quem Ama Cuida" — Foto: Reprodução/Instagram 2 de 8 Jeniffer Nascimento cortou as madeixas no estilo chanel para interpretar Nancy, em "Quem Ama Cuida" — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Flávia Alessandra abandonou os fios loiro-platinados e adotou o castanho para viver a personagem Fábia, em "Quem Ama Cuida" — Foto: Reprodução/Instagram 4 de 8 Isabel Teixeira platinou o cabelo para para interpretar Pilar, grande vilã de "Quem Ama Cuida" — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade 5 de 8 Letícia Colin adotou um cabelo chanel bem claro para dar vida à Eudora, em "Quem Ama Cuida" — Foto: Reprodução/Instagram 6 de 8 A mudança de Nathalia Dill foi sútil: a atriz clareou a parte de baixa das madeixas para viver a personagem Francesca, em "Quem Ama Cuida" — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade 7 de 8 Além de ter emagrecido, Belize Pombal trocou o cabelo liso pelos cachos volumosos para dar vida à Silvana, em "Quem Ama Cuida" — Foto: Reprodução/Instagram 8 de 8 Alexandre Borges deixou as madeixas grisalhas crescerem para dar interpretar Ulisses, em "Quem Ama Cuida" — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade .