Depois de receber a seleção brasileira em 1970 e 1986, cidade terá quatro jogos do Mundial deste ano. Tchéquia e Coreia do Sul se enfrentam às 23h (de Brasília) Cartaz no centro de Guadalajara exalta presença de Pelé na cidade, em 1970 — Foto: Fotos: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 15:07 Guadalajara: Memórias de Pelé e o Legado da Copa de 1970 O icônico cartaz "Hoje não trabalhamos porque vamos ver Pelé", afixado em Guadalajara durante a Copa de 1970, simboliza o profundo carinho mexicano pelo futebol brasileiro. Guadalajara, que volta a sediar jogos do Mundial, recebeu a seleção em 1970 e 1986. A cidade, agora com o estádio Akron, continua a ser um marco histórico para o futebol e para a lenda de Pelé. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Você já deve ter visto essa imagem por aí. Um cartaz afixado numa esquina com o aviso, em espanhol, “Hoje não trabalhamos porque vamos ver Pelé”. Virou camiseta, cartaz, mural de azulejos, está registrado no Museu do Santos, rodou páginas e sites de futebol e entrou para o rol da iconografia e mitos do Rei do Futebol, tal qual o dia em que o camisa 10 parou uma guerra no Benin ou o golaço — que ninguém filmou, mas todo mundo viu — na Rua Javari. O recado foi colado na esquina da Rua Independência, no centro de Guadalajara, a mais brasileira das sedes, que volta a receber o Mundial nesta quinta-feira, com Coreia do Sul x Tchéquia. Ocupa a fachada de um teatro de revistas chamado Anda, administrado pela Associação Nacional de Atores (daí, o acrônimo), que mais tarde mudou de nome até fechar as cortinas de vez, há cerca de 20 anos. Não há data ou registro do autor das imagens que circulam há anos na internet. O fotógrafo mexicano Sérgio Gabaray, que acaba de inaugurar uma mostra chamada Jalisco 70, sobre os dias de Mundial em Guadalajara, acredita ser do próprio governo da época — uma variação da imagem, de outro ângulo, acompanha uma carta publicada pela Embaixada mexicana após a morte de Pelé. Foto publicada pela embaixada mexicana em carta que homenageou o Rei Pelé: mensagem em frente a teatro em Guadalajara — Foto: Reprodução A frase já circulava nas ruas de Guadalajara antes mesmo de a bola rolar, tamanha a identificação entre os anfitriões e os futuros tricampeões. O primeiro jogo do Brasil foi contra a Tchecoslováquia, em 3 de junho, mas dias antes O GLOBO já noticiava o carinho local, especialmente com o Rei: “A gente fica sabendo todo dia que os jogadores brasileiros estão recebendo uma recepção calorosa no México. ‘Hoje não trabalhamos porque vamos ver Pelé’ foi a frase mais bacana que já vi em minha vida, daquelas de deixar a gente arrepiado até no rim direito”, relata uma nota publicada na edição de 20 de maio de 1970. Preparação na altitude Esta será a primeira Copa do Mundo desde a morte de Pelé, único tricampeão como jogador. No Catar, semanas antes da despedida, o Rei foi homenageado com faixas e mensagens de apoio. Muito tietado em seu último Mundial, Pelé costumava falar com carinho especial do México. “Às vezes eu brinco que só me faltou jogar na lua, mas um país que não posso esquecer pelo carinho e pela maneira que me trataram foi o México. Éramos bem recebidos onde íamos”, lembrou Pelé, em vídeo em suas redes sociais, em 2020. Naquela Copa, a seleção brasileira se preparou na altitude da pequena Guanajuato, a 250 quilômetros de Guadalajara, nas três semanas que antecederam a estreia. A escolha pelo local se deu com base na preparação física ideal dos atletas. A cidade ficava a 2.150m do nível do mar, que era a maior altitude em que o Brasil enfrentaria no México. A seleção contava com comissão completa, entre eles os preparadores físicos Carlos Alberto Parreira e Cláudio Coutinho, que viriam a ser treinadores do Brasil em Copas. — Em Guanajuato, começamos a formar um grupo, que orava todas as noites. Éramos cinco ou seis. Quando chegamos à final, cozinheiros, roupeiros, rezavam junto com a gente — conta Piazza, que jogou recuado como quarto zagueiro. Do tri a Platini Na Copa de 1970, Guadalajara recebeu oito partidas, sendo cinco da seleção brasileira, entre elas a estreia contra os tchecos (4 a 1), as quartas de final contra o Peru (4 a 2) e a semi diante do Uruguai (3 a 1). De lá, o Brasil só saiu para a goleada sobre a Itália, que rendeu o tri. Em 1986, o México assumiu novamente o posto de anfitrião com a desistência da Colômbia. Na ocasião, foram nove jogos na cidade, e o Brasil novamente voltou ao histórico Jalisco, onde disputou suas quatro primeiras partidas até a queda nos pênaltis, para a França. No Mundial deste ano, o Jalisco deu lugar ao Akron, na região metropolitana, que vai receber quatro jogos da fase de grupos, nenhum do Brasil. Foi inaugurado em 2010 e é casa do Chivas, uma das equipes mais tradicionais do país.