Na semana passada, perguntei se a IA (inteligência artificial) é uma bolha, uma bênção ou uma maldição. Minhas respostas foram, nessa ordem, "até certo ponto, sim e sim". Agora, quero considerar a última questão, sobre "maldições", de forma mais aprofundada.

As questões que vou abordar são: quão perigosa é a IA de fato, o que devemos fazer para contê-la e alguma forma de regulação funcionará? Minhas principais conclusões serão que ela é definitivamente perigosa, que certamente devemos tentar regulá-la e, ainda assim, com toda probabilidade, a tentativa fracassará.Alguns me disseram que não tenho o direito de comentar porque não sou especialista. Outros argumentam que devemos abraçar tudo o que a tecnologia nos oferece, porque ela é a fonte do crescimento econômico. Ambas as visões estão erradas. Uma democracia é um projeto político compartilhado. Todos nós temos o direito de participar dos debates sobre como gerenciar novas tecnologias perigosas.

Isso era verdade quando a bomba atômica foi inventada. Também é verdade para a IA, que terá consequências muito mais complexas, mas igualmente perigosas. Além disso, o suposto direito de decidir tais questões reivindicado por alguns titãs da tecnologia certamente se perdeu após o enorme dano causado pelas redes sociais aos jovens e ao bem público da informação confiável.