A Pfizer está revisando o cronograma e o escopo de investimentos planejados na Alemanha, afirmou o diretor-presidente, Albert Bourla, em carta enviada ao chanceler, Friedrich Merz. A empresa é a mais recente farmacêutica a reagir a propostas do governo que reduziriam os preços dos medicamentos. A carta da Pfizer, datada de 9 de junho e obtida pela Reuters nesta quarta-feira (10), foi inicialmente noticiada pelo jornal econômico alemão Handelsblatt. Bourla escreveu que as propostas colocam em dúvida a previsibilidade necessária para as decisões de investimento de longo prazo da indústria farmacêutica. “Como resultado, estamos revisando nossos compromissos externos, bem como o cronograma, o escopo e a priorização futura de determinados investimentos planejados na Alemanha”, diz a carta, sem especificar a quais investimentos se referia. Cortes planejados em saúde A declaração ocorre uma semana após a norte-americana Eli Lilly afirmar que reduzirá pela metade seu investimento previsto de US$ 2,3 bilhões na Alemanha, e a farmacêutica alemã Boehringer Ingelheim abandonar seus planos de investir 900 milhões de euros, ambas citando as medidas planejadas pelo governo para reduzir gastos com saúde. A proposta de legislação na Alemanha para limitar os custos em rápida expansão do sistema público de seguro-saúde colocou o país no centro de uma disputa mais ampla entre farmacêuticas e governos europeus, que começou há vários meses. Essa tensão decorre do impacto, na Europa, da iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adotar a política de “nação mais favorecida” para preços de medicamentos, que busca vincular alguns preços de remédios no lucrativo mercado americano aos preços mais baixos praticados em outros lugares, incluindo a Europa. Grandes farmacêuticas, incluindo AstraZeneca e Roche, alertaram recentemente que podem não conseguir lançar seus futuros medicamentos inovadores na Europa, a menos que os governos concordem em pagar mais do que historicamente têm pago. Os governos, no entanto, mantêm sua posição. Em uma carta ao chanceler Merz datada de 22 de abril, Bourla e mais de 30 outros presidentes-executivos de grandes farmacêuticas solicitaram uma “reunião urgente, presencial ou virtual” com Merz “nos próximos dias”. Não houve resposta, segundo diversas fontes da indústria. O governo alemão não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.