Graham Platner será o candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos pelo Maine, após os eleitores do partido ignorarem uma onda de acusações contra o produtor de ostras, de 41 anos, um novato na política. Com cerca de 81% dos votos apurados na manhã desta quarta-feira, Platner tinha o apoio de mais de 72% dos eleitores democratas nas primárias estaduais. Janet Mills, governadora do Estado, suspendeu a campanha no início do ano, mas permaneceu na cédula eleitoral, ficou com um distante segundo lugar, com 19,5%. Agora, Platner enfrentará a senadora republicana Susan Collins nas eleições para o Congresso em novembro. A disputa pelo Senado no Maine deve ser uma das mais acirradas do pleito, com os democratas devendo direcionar grandes quantidades de recursos para tentar derrotar Collins, uma política veterana que se apresenta como moderada. Platner é um candidato controverso. Sem experiência política, ele mobilizou setores da base democrata com uma campanha populista marcada por uma linguagem direta. Mas ele também foi alvo de manchetes negativas por causa de antigas publicações nas redes sociais, por ter tido uma tatuagem semelhante a um símbolo nazista e, mais recentemente, por acusações relativas ao comportamento em relação às mulheres. No início deste mês, o Wall Street Journal informou que a esposa de Platner, Amy Gertner, contou a integrantes da campanha sobre mensagens de texto sexualmente explícitas que o marido trocou com várias mulheres no ano passado. Na semana passada, o New York Times revelou que três ex-companheiras descreveram “relacionamentos voláteis e tóxicos” que, “em pelo menos um caso, chegaram a ser fisicamente ameaçadores”. Embora alguns democratas tenham classificado como preocupantes as revelações sobre o passado de Platner, apoiadores progressistas — incluindo o senador Bernie Sanders — mantiveram seu apoio, e nenhuma figura de destaque do partido pediu que ele desistisse da candidatura. Platner tentou reduzir o impacto da controvérsia, afirmando na semana passada que “algumas acusações” eram “simplesmente falsas”. “A todos aqueles que se sentem decepcionados, frustrados ou desiludidos, é meu dever conquistar sua confiança, sua fé e seu apoio”, disse Platner em uma festa eleitoral antes de atacar Collins, a quem acusou de “enriquecer” às custas dos contribuintes enquanto se apresenta como uma política de centro. “Susan Collins só é bipartidária quando isso não faz diferença”, afirmou, provocando aplausos da plateia. Collins é uma das poucas senadoras republicanas ainda no Congresso que votaram para condenar Trump em seu segundo processo de impeachment, no início de 2021. Mas ela também apoiou o presidente em diversas questões importantes, incluindo ao fornecer o voto decisivo para a confirmação do juiz conservador Brett Kavanaugh à Suprema Corte dos EUA. Collins foi eleita para o Senado pela primeira vez em 1996. Ela já enfrentou campanhas de reeleição difíceis, incluindo há seis anos, quando os democratas gastaram mais de US$ 50 milhões tentando derrotá-la. As pesquisas mais recentes mostram Platner com uma vantagem relevante sobre Collins. Um levantamento da Universidade de Massachusetts divulgado na semana passada apontou o desafiante democrata com cinco pontos de vantagem sobre a senadora republicana. O Maine foi um dos vários Estados que realizaram eleições primárias partidárias na terça-feira. Eleitores também foram às urnas em Dakota do Norte, Nevada e Carolina do Sul para escolher candidatos para as eleições de meio de mandato. Na Carolina do Sul, o senador republicano Lindsey Graham, aliado de Trump e atual ocupante do cargo, derrotou com folga vários adversários nas primárias e tornou-se o candidato de seu partido ao Senado. A expectativa é que ele seja reeleito sem grandes dificuldades em novembro. Graham Platner em comício durante as primárias democratas ao Senado no Maine — Foto: Amanda Sabga/Reuters
Democratas apostam em candidato polêmico no Maine para disputa-chave ao Senado
Graham Platner enfrentará a veterana republicana Susan Collins










